quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Marcelo Muniz



Fogueiras 

Façamos lenha do anseio 
a despeito do receio 
e o roer surdo da agitação no caminho escuro 
Fogueiras da clareira 
já aquecida em algum lugar 
sem circunstância 
Terno fogo avança 
Terno fogo avança 
Acendeu-me um calmo rosto inteiro 
Calma ânsia na chance da consumação 
Repousa o seu amor onde deitou nossa inquieta brasa de medo 
Meu olhar, um afeto que olha e acolhe,.. por vezes de relance. 
Nós,..desatados,..segredos.


Você e meus portos
Meu amor sem amarras tem baços salgados e firmes mãos de sisal em embarcações com nomes gastos num mar mais profundo sem marcas.
Ficou no relento de melancolias renovadas.
Aporta na ilusão,..à tua espera..à tua espera..era você e não era.
Meu medo foi.. me perder,.. onde sou..de você..
Onde sou pra valer..é você.
Na saudade, partida e retorno,..no espaço de meu amor vadio, o mais leal e cuidadoso,..por onde me guio.


CAMINHO
O coração se faz com a obra dos passos
De encontros..reencontros
O que esta do outro lado
O peito é um gentil desconhecido..do conforto
Cresce com dores misteriosas..e alívios
Parece ter um espaço infinito
Podem afetar,.. o seu respeito e sinceridade
Guarda..se abre..inflama,..quieto e ao mesmo tempo..a despeito
das perdas..é coração..e ama o que esta no caminho.


'Vamp  vapor'

 “Marcha interna cigana sinuosa. Const-atado.. nome vago das Brumas vadias.. até ganharem nomes somente manhãs frias e nuas.. e metas com estanques amores derem nomes aos homens na boca escovada das ruas. 
A bruma no homem  faz emendas de humores.. ruma.. Encontro de amor na provisória costura.
O homem apalpa o veludo com resquícios da bruma que pousa no escuro e corre pros bolsos.
Dissipa.. retida, a bruma com o homem, corre no terno por toda Avenida.
Querida..quer..ida..e voltas. Brumas vermelhas, o rio..as veias.
O barco adivinho se pôs à deriva,.. permeia. Quer do rio, .. a bruma, a veia”.


"Surdina"
(Para Duke Ellington)

Redutos furta-cor aveludados da "Grande Maçã".O homem no conforto de um "abrigo"..perdido..nas multidões.Todas as manhãs o anjo mímico no Parque Central..faz malabarismos com o fruto proibido.
Um fôlego épico e raro narrou a finesse, da elegância ao desamparo.
Jungles & Gymnopedies conjugam-se,..quando o plano chega a um beco.
Blues..transportando um discreto peso humano com restos da cintilância do Anjo azul,..balbuciando a calada da noite..vai como pode..retorna melancolizado. Saem..em "surdina".. dos fundos dos "Clubs" - um gueto em depressão até a esquina - vultos do amor ou da solidão. Caroços da "Maçã", arremessados pelas almas dos amaciados.
Sórdidas máfias anônimas com sombras covardes na fronte, e alguém procurando o amanhecer em um trago..depois de atravessada a ponte.



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