quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ponto de interrogação ( ? )

Certo dia, o poeta Rodolfo Andrade postando um poema em nosso Grupo no Facebook indagou e indagou... Resultado: mais um desafio na CPI, e dessa vez, recheado de interrogações!
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Ponto de interrogação

O que acontece quando esta aí 
vendo o vento soprar, 
o rio puro correr 
ai sem querer olhar. 

Quando te sinto 
sem nem te querer 
te vejo lá longe 
sem te olhar.

Queria te olhar o dia inteiro 
ficar neste flerte maneiro 
sempre querendo 
te amar, te ter.

Não me importa que pensem
sem realmente saber
muito menos que julguem 
tudo que irá acontecer.

Quando o sol queima sua pele 
morena, macia, cheirosa 
e eu fico a observar 
sem nada falar.

Observo às pessoas 
querendo te observar 
ontem eu te queria, 
hoje te quero e sempre vou querer.

Rodolfo Andrade – Petrópolis / RJ

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Ponto de interrogação

Exaustão molecular
estriando o ser que expande
não sabendo ao certo
onde
enredar seu tal desejo
em que tanta nuvem
cai
nas mil gotas do silêncio
nem estio
nem ensejo
afagar seu corpo tenso
O amor de toda a vida
parte assim de seu inteiro
ou paixão sem causa ou senso
nova essência
aguerrida
que estrapola
o agora
ao meio?
Interroga
ação
e ponto
de partida
ou de chegada
espalhando 
absorto afeto
Cais sem porto
encruzilhada!

Juliana Brasil – Petrópolis / RJ

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Ponto de interpretação.

Eis o ponto que indago...
Digiro e afago,
Dentre os tantos pontos do meu coração!

És de sinceridade absoluta,
Que nas vias desta conduta
Põem-me a chorar!

És de tamanha beleza,
E, também, de toda a riqueza...
Que meus simples olhos puderam enxergar.

És de minha criação!
E de toda a imaginação...
Que este coração chegou onde está!

És um ponto, pronto!
Um simples ponto!
De interpretação...

Rafael Nicolay – Petrópolis / RJ

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Interrogação

No fundo somos meros inventores
De dúvidas que nem mesmo existem
Camuflamos certezas que nos causam dores
Em erros que nas emoções persistem.

Fingimos duvidar e por ai seguimos
Mais fácil que assumir o quanto nós sabemos
De manchas e desprezos que para e em nós sentimos
O quanto de ruim em nós reconhecemos.

Driblando as mentiras que colecionamos
Negamos a nos mesmos o que obvio é.
Titubeando, inseguros, caminhamos.
Os méritos nós damos para a fé.

E assim numa piada se escreve a vida
O que? Como assim? Quando? – perguntamos!
Mais fácil uma verdade falsa, corrompida
Que a dura certeza do que não aceitamos!

Catarina Maul – Petrópolis / RJ

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A verdade

Onde está a verdade que eu procuro?
Nos salões enfeitados dos doutores
ou nos versos de tantos sonhadores
mergulhados num mundo tão escuro?

Num discurso inflamado que eu aturo
talvez por gentileza ou por favores?
Na agitação das bolsas de valores
ou nos votos de ofício de um perjuro?

Na volúpia de tantas meretrizes?
Na palavra final do magistrado?
No pranto das crianças infelizes?

Ao chegar ao sepulcro conquistado
com lutas, sofrimentos, cicatrizes...
Certamente estará lá do outro lado.

Gilson Faustino Maia – Petrópolis / RJ (Escrito em 05-11-87)

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‎Respostas

Busco respostas...
Quem poderá me ajudar?

O menino que brinca na rua?
Ou a menina que olha para a Lua?

O jovem que dizem ser imaturo?
Ou a moça que idealiza seu futuro?

O homem que se preocupa com suas contas?
Ou a mulher que as vezes age feito uma tonta?

O velho que já se sente morto?
Ou a senhora que ainda busca seu conforto?

O sábio que me revela estar a procura?
Ou a professora que acredita ter muita cultura?

O nômade que não tem parada?
Ou a pessoa que vive angustiada?

Quantas dúvidas!
Elas só fazem aumentar...
Até que resolvi apostar:
só dentro de mim mesma
é que todas elas devem estar!!!

Elciana Goedert – Curitiba / PA

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Vazia Indagação

Hora
calada e vazia:
a vida fala sozinha.

O coração bate,
ainda, ao mesmo ritmo
em que as estrelas brilham

E à eternidade indaga
A única verdade que importa:
Haverá amanhã?

Carmem Teresa Elias -  Rio de Janeiro / RJ

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INTER//ROGAÇÃO

Nativa vez que
tive o ímpeto de
dizer -te sim
não amo a primavera
nada sei que
pensa aquele
bando de cores
à sorrir-me
largamente
quando passo triste
pela borda do dia
pela estreita alvorada

Ali numa dança
largamente florida
como se enfeitassem
esse mesmo caminho
como se eu
quisesse colher
partir o seu caule fino
e depois respirar
sua cor.

não acho o fim da poesia
a interrogação.

Leonardo Fonseca – Petrópolis / RJ

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PERGUNTAS

De tudo o que sei
É com o que eu não sei,
Que mais me espanto.
São minhas perguntas,
Que me estruturam
E que me desmancham...

E, se encontro respostas,
São apenas propostas refutáveis
Indagáveis verdades – prontas...
Tão óbvias quanto abstrusas!
Intrusos saberes disseminados,
Dissimulados traços do que se quer,
Efígie distorcida do que se tem.

Ignoro-me como resposta
E, nas minhas perquires,
Eu continuo sendo perguntas,
Apenas perguntas...

Ivone Alves Sol – Petrópolis / RJ

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Além da dor daquilo

Além da dor daquilo
Que não se pode dizer...
Tenho uma dor assim:
Escondida, inacabada!

Dor de quem ama
Sem poder fazer nada,
Para que a dor
Chegue ao fim...

Dor...
Que vai matando devagarzinho.
Vem em aspirais...
Como vem o amor.

Aquele amor intenso,
Que nunca se justifica.
Que, nem ao menos, diz que acabou...
Ou começou.

E no fim...
A vida mostra uma forma de amor
Que surpreende:
Aquele que se afasta e,
Que mesmo distante, ainda prende.

Roma Magela – São Paulo / SP

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Além de mim
Falar da morte?
Não sei o que é.
Fazer um trato com ela
pra escapar?
Quem sabe, virar semente?
E se o outro mundo
for melhor,
sem miséria,
traição e medo?
Na dúvida,
enquanto posso,
vou ficando,
curtindo o prazer:
mar, luar
flores, amores
música, viagens
perfumes, sabores.
Enquanto me for
permitido viver.

Maria Do Carmo Bomfim – Rio de Janeiro / RJ

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Será???? 

Será que nessa vida?
Será que em outro mundo?
Tudo tem pergunta?
Tudo terá resposta?

Viemos de onde mesmo?
Estamos aqui por que?
Sonhamos os mesmos sonhos?
Ou pensamos em nunca ser?

As respostas não tenho não
Isso é uma grande interrogação
Tudo fica mais aguçado
Tentando achar explicação.

Claudia Marinho – Petrópolis / RJ

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Energia escura

Energia escura...
Coisa desconhecida e inesperada.
Para prova que tudo muda...
Utilizando forma acelerada.

Expansão!
Não é fácil assim, que dê para contrabalancear...
Se nos corpos falta gravidade,
Como prever a reação?

Quando toda matéria começa a se contrair...
Pontos densos no infinito sem compreensão...
Mas, com singularidade na inovação
Começam a se comprimir.

Big Bang do avesso!
Nosso amor é assim:
Não aceita o conserto,
Como hidrogênio em nebulosa: explode no fim!

De Magela – São Paulo / SP

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Nada esperar

Quem se importa?
Se perguntas emudecem
na turbulência dos dias
se sigo com precaução
sob lenta paralisia
do cansaço – desalento
que à morte se parecem

Quem se importa?
Se percorro o céu cinzento
procuro a luz do luar
como fora estrela guia
pra que possa me curar
dos embustes e da espera
e nada mais esperar

Quem se importa?
Se não soube presagiar
os males – os desenganos
quando se bate uma porta
(o passado vai passar)
é construir novos planos
e não mais se importar.

Marizélia Finger - Porto Alegre / RS

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Tudo mundo usa

Não tem nem uma pessoa que não use
o ponto de interrogação.
Todo mundo usa, querendo ou não.
Principalmente numa conversa,
aí é que o ponto aparece mesmo!
Até numa discussão,
o que mais surge é o ponto de interrogação.
Só com esse ponto é que podemos
perceber a fala de um personagem numa história.
Enfim, o ponto de interrogação está presente
na nossa vida, em qualquer ocasião.
Se não existisse não ia ter pergunta,
e se não existisse pergunta
não haveria diálogo.

Alan Bastos – Petrópolis / RJ

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Por falar em saudade...


Saudosa dos desafios que por uns dias adormeceram na nossa CPI, Luana Lagreca desafiou os confrades para que falassem do tema: "Por falar em saudade". O resultado é esse que segue: Em dois dias, 12 página de poemas; em quatro dias 23 páginas de pura poesia!

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Ordeno que se retire!

Não venha apoderar-se de mim, oh saudade!
Não venha escorrer em meus olhos.
Não venha com essa maldade,
de tirar-me os sonhos...

Não venha, não permito que fique!...
Não venha molhar o meu rosto,
Não venha causar-me desgosto...
Ordeno que se retire!

Luana Lagreca – Petrópolis / RJ

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‎sinto saudades
de presenças
&
de esquecimentos
:ausências

Rosana Banharoli – Santo André / SP

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E por falar em saudade...

Um barco à vela, a saudade
ali à beira do cais,
sem adeus à mocidade
que não voltará jamais.

Olhos castanhos, que brilho!
Diz, saudade, quem é ela?
Da vida, perdi o trilho,
só tristeza em minha tela.

Nessa vida tão intensa,
foi transportando esse amor
que essa tal saudade, imensa,
fez de mim um trovador.

Como as notas musicais,
sete letrinhas: saudade!
As fontes, mananciais,
do rio felicidade.

Querendo um dia voltar,
Para matar a saudade,
Tentei meu rastro deixar,
Mas quanta adversidade! 

Gilson Faustino Maia – Petrópolis / RJ

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Não era sonho era saudade

A noite caiu em minh’alma
fiquei triste sem querer
logo você se infiltrou em mim
e com a sua presença 
de estalo comecei a te ver.

Seus cabelos rolavam em suas costas, 
seus olhos penetravam em mim 
você estava entre flores e flores 
no mundo dos meus sonhos 
fazia parte de um lindo jardim.

Deslizava sobre a grama 
de todas as flores a mais bela 
na inocência de toda mulher 
porém todas com inveja 
só pensavam em ser ela.

Porém o dia surgiu 
sua imagem não me abandonou 
eu sem querer despertei 
mas um dia sem você
“não é sonho a saudade falou”.

Rodolfo Andrade – Petrópolis / RJ

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CANTO DE SAUDADE

O Sol mede o minuto que passou
O azul do céu está vazio de olhares
Os ares adormeceram o seu frescor
O tempo se afogou nas preliminares

Hoje a música é um canto de saudade
E no canto uma miragem distante
Tão ao alcance da minha vontade
Tão verdade que é igual à de antes

Eu abraço a canção dançada na chuva
Meu corpo faz curva dentro de mim
Não há fim quando a vida inda pulsa
E o peito recusa a deixar-se ruir

Mas o Sol há de abrir novo tempo
Sem essas medidas das horas
Há de ser eterno o momento
E vivido - no agora

Ivone Alves Sol – Petrópolis / RJ

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Angustiado de Desejo

Estou angustiado de desejo,
Em provar outra vez o seu beijo,
Seu sabor ainda está em meus lábios,
Seu perfume no meu corpo...
Estou louco e viajo...
Em pensamento pra lhe encontrar,
Aquele momento nada apagará,
Um sentimento que acelera rumo à paixão,
Os batimentos do meu coração... 

E a saudade chega na calada, 
Seja no expediente, ou na madrugada...
E me tortura, pura sedução,
Entregue à loucura de viver essa paixão...

Felipe Quirino – Rio de Janeiro / RJ

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Quando penso em saudade
falo dela ou a sinto profundamente
encharco a palavra, o sentimento
e só vejo você!

Dizem que o tempo cura,
que as coisas se ajeitam,
mas confesso que nada disso
apresentou eficácia para matá-la.

Já faz vinte anos sem você 
e nada de saudade a menos!
Saudade só aumentou!
Cresceu na mente, na palavra e no coração.

Saudade infinita perpassa por cada gesto,
por cada olhar apaixonado que me dedicava,
por cada palavra de amor que afirmava...
ser eu a sua eterna paixão!

Saudade,PAI, de ser chamada de FILHA !

Fernanda Forster – Petrópolis / RJ

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SAUDADE

Eu mordia e exibia a saudade
nos lábios ensanguentados
como quem levasse a rosa rubra da dor
entre os dentes.

Ó, meu coração ardente,
transformado em líquido espanto,
tua cavidade não é continente
para a força incontida do contido pranto!

A saudade exibia-se
nuns olhos tristes que eu tinha:
- olhos silenciosos e que silenciosos iam pensando:
se tua presença não tenho,
ainda assim tua ausência é toda minha.

 - Pero Vás

João Antônio Pereira – Porto Alegre / RS

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Maldição dos poetas

O arder das cordas vocais ecoa saudade
Os olhos marejados refletem saudade
E as palavras dos poetas,
Essas palavras que impregnam a imaginação de saudade.

Querido, meu corpo é quente, 
Indelicado,
Apressado.

Não se contenta com o pouco
Quer multidão, plural e atração.

Querido, você ausente,
É descontente,
É maldição!

Leila Maria – Cruz das Almas / BA

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Noites Traiçoeiras

Nesse pranto contido
Anoitece meu querer
Vai deslizando com o vento
Até o seu sonhado destino
Quanto desatino!

Meu sorriso transparente e amarelo
Vira moleque pra passar o tempo sem você
Sem ser teu...

-Noites traiçoeiras
Que brincam com meu viver
Recobre o que nem de longe nos pertence,
Faça em mim amanhecer,
A fantasia do beijo.

Leila Maria – Cruz das Almas / BA

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Problema de Azia

Quando a saudade me dá azia
Eu quero um período do teu dia
Um aperto de mão
Um, suspiro de amante
Um perfume, mesmo que distante

Quando a saudade me dá azia
Tenho que olhar suas fotos
Tenho que ouvir musica lenta
Tenho quer comer besteira
E até pensar que não penso em você.

Quando a saudade me dá azia
Quero ser feita de pó
Quero não ter coração

Quando a saudade me dá azia
Quero como nunca te encontrar
Até essa azia acabar
Até essa azia cessar...

Leila Maria – Cruz das Almas / BA

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Saudade coisa estranha

Coisa estranha a saudade
Parece um espírito que toma conta da gente
E quando nos damos conta, já está pronta
Pra nos fazer odiá-la.

Bom mesmo é quando conseguimos matá-la.
O coração fica mais forte
A boca fica cheia de dentes
E o vento, até mesmo o vento é mais brincalhão.

Ai! Saudade.
Você é quase um espírito
Que recostado em meu peito 
Faz-me trair o amor.

Leila Maria – Cruz das Almas / BA

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Saudade do teu cheiro

Saudade do seu cheiro
Que tem um toque macio
Como cama de motel cinco estrelas

Saudade do seu cheiro
Que me dá aquela paz
Por esta ao lado seu

Saudade do seu cheiro
Que acalma qualquer anseio
E me enche de desejo

Saudade do seu cheiro
Que não me confundo
Nem a distancia

Queria o privilégio de me embriagar
Com tão único e particular vício
Todo dia
Ou ao menos
Que teu perfume chegasse a mim
Por telepatia.

Leila Maria – Cruz das Almas / BA

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EM MIM... DE TI... SAUDADE

Sinto no peito, um vazio
Que me faz sentir arrepio
Que deixa meus olhos tristes
Enquanto a noite incide
Em mim

Penso em nosso tempo precioso
No agora ocioso
Onde o amor revela a si
A lembrança que guardo aqui
De ti

E quando no peito dou nó
Na eternidade das horas só
Ocorre-me pensamentos levianos.
Sinto vazio ao qual chamamos
Saudade

Leila Maria – Cruz das Almas / BA

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Revelar

Desnecessário em sua forma natural
Mas o poder que lhe é concebido
O torna com valor desmedido
Diante do fantasioso emocional

O frasco que guarda o cheiro teu
Resgata a lembrança minha
Da hora em que eu tinha
O perfume em corpo seu

Objeto precioso
Que acalma minha paixão
Pois em momento de precisão
Evita um pesar desastroso

Uma válvula de escape
Que de muito faço uso
Para afugentar-me do abuso
Torturante da saudade.

Leila Maria – Cruz das Almas / BA

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Ficou um carinho suspenso
E a perspectiva de tantos outros!

Ficou! 
E isto importa
Em algo que ainda está aqui
Que ainda pulsa, escolhendo uma sombra.

Uma sombra
Pra escapar desta luz incandescente
Que vaza meus olhos sonhadores
Luz de amanhecer!

Uma sombra
Para os desejos recônditos
E para acalmar as mãos trêmulas
Do poeta faminto! 

Ficou!
A certeza da fome
A solidão da cegueira inusitada
E uma cicatriz perfumada e indelével...

Carlos Eugenio Vilarinho Fortes – Palmeira das Missões / RS

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Cosmópolis

Vilas ali onde moram
As silabas\ encarte de saudade
Parte de um vocábulo\gírias de 
Filas de gente contando segredos
As sibilas.
Prefiro os contornos
Dos gibis,
De grafites dos muros
Ao personagem caricato
De uma novela global.

Eu não quero a morte
Num caso de nota de pé de página Noir,
Eu quero um som noise
Que lembre os pianos vintages do Air. 
E que me faça cair na cidade de Porto cá em Portugal.

Fernando Sousa Andrade – Rio de Janeiro / RJ

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Marizélia Finger – Porto Alegre / RS

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Saudade

A saudade que nos mata 
em lenta sufocação 
é uma arma cortante 
atravessa o coração

que cansado de bater 
no descompasso da vida 
nesta Terra tão perdida
dos caminhos do amor

bate assim tão disparado
tão opresso - desvairado
pela saudade do céu

que mora nalgum lugar
num canto do teu olhar
distante do meu sofrer.

Marizélia Finger – Porto Alegre / RS

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Apego do peito, ao peito
Que já não mais bate.
Lembra sem jeito, o sujeito
Que foi noutra tarde.
Prefere viver na lembrança:
"Antes era tudo perfeito!"
Dançava, quando era criança
Hoje, em tudo, vê defeito. 

"Que falta faz a juventude!
Antes não havia maldade...
Era feliz com a tua idade!"
Discursa aquele que se ilude.

Escasso é o tempo que nos foi dado!
Não se pode recusar o presente
Pois perder-se em delírios da mente
É morrer, num estático passado

Saudade é morrer noutro instante
A vida acontece agora
O fluxo de vida pulsante
Vem quando o presente aflora!

Alexandre Tavares – Petrópolis / RJ

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Sinto um aperto 
aqui no peito,
parece que tudo dói.
Sinto saudade
de um tal sujeito,
que foi embora
não volta mais...

Saudade enorme
daquele tempo,
em que eu e você
nunca era demais,
era tudo tão perfeito,
vai ficar guardado
não volta mais...

Aperta, machuca e marca,
me faz mais forte 
ou menos fraca,
saudade aperta
choro no leito,
sei que você
não volta mais...

Claudia Marinho – Petrópolis / RJ

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AMOR-TEVÊ

Sabe do que mais gostei...?
Foi quando indagou pela falta de inspiração!
Parecia alguém pedindo socorro,
Sem ter nada em suas mãos.

E só palavras residiam nesse intermediário...
Entre o que sentia e o que praticava,
Uma certa emoção talvez, em sua incompreensível confusão.
É nesse hora que não ter inspiração, particularmente, nos afetava.

Fico pensando quando diz,
Que tem novos amigos...
Que fica livre!
E depois volta para mim.

Tudo fica parecendo televisão!
Novelas e interpretações que deixam a desejar...!
Fazem com que os problemas dos outros
Venham vagarosamente a nos incomodar!

Prefiro me perder na poesia!
Elas não me deixam mais confuso.
Exceto quando o amor afeta...
Aí, são elas que deixam a página aberta!

Desabafo meu...!
Minha dor vai gritar agora: pensando alcançar estrelas é que me livro da saudade...!
Alguém novamente ligou a tevê...
Devo ser como a inspiração:
Não combino com novelas e só consigo pensar em você.

De Magela e Carmem Teresa Elias – São Paulo / SP e Rio de Janeiro / RJ

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Saudade

Saudade coisa que sente o coração
E toma conta de nosso ser...
Sofrer imenso, também é saudade
Quando cisma de doer.

Pensamentos que nos acorrentam,
São os mesmos que nos arrebatam...
Nos invadem, nos marcam
E de saudades nos matam.

Saudade vã ilusão,
Abrigo do bem querer...
Saudade doce canção.

Saudade...
para viver,
S a u d a d e .

Paulo Roberto Cunha – Petrópolis / RJ

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Densas crostas nos pincéis da vida
galgando do tempo insistente imagem
Ferida cáustica
borbulhando negra dor
no lirismo que jorrava
de tal gênio esteta
amarrei tanta sorte de encanto
e obscuros planos
sem qualquer meta
Devaneios
Klimt
Piazzolla
venenos
Rivais eternos
no leito e na arte
no inteiro e na parte
cambaleando
sextênios
de delicioso
claustro
Ostracismos frenéticos
em tórridos leitos
estéticos
na absorta voragem
de querer a parte
do inteiro outro
que partindo
cansado do drama
Deixa a companhia
deste abismo
o qual chamamos
SAUDADE

Juliana Brasil – Petrópolis / RJ

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Na foto amarelada,
onde vivos e mortos
convivem em paz ,
a saudade é mutua.

Lucia Regina Ferrari Silva – São Leopoldo / MG

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‎Onde cabe minha alegria?
Minha alegria 
Cabe na prosa e na poesia
Cabe aqui, cabe acolá
Cabe no computador e no celular
Cabe na saudade
Cabe no desejo e na vontade
Cabe na memória
Cabe em tantas histórias
Cabe no meu relembrar
Cabe onde consigo te achar.
Bença, vovó!

Tina Maria Figueiredo – Teixeira de Freitas / BA

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Saudade
instante.
Verdade
constante!

Nostálgico
aquele dia,
Feliz
por companhia.

Intrínseco
à saudade
Tamanha
ousadia...

E
a dor
De uma grande
ferida.

De um passado que corrói.

Rafael Nicolay – Petrópolis / RJ

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Saudade...

Substantivo abstrato?
Mas como, se o sentir é concreto?
Paradoxo do bem querer
(o perto tão distante)
O coração, as entranhas...
O pulsar...
Minha alma chora.

Ana Lucia Souza Cruz  - Rio de Janeiro / RJ

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Saudade...
Tempos idos...
Sentimentos adormecidos...
Trilha sonora do passado
Uma fotografia ao lado
Colorindo pulsações.

Um mundo planejado
num tempo determinado
Perfurando o peito. 
Um sonho,
Um leito,
Intensidade,
Turbilhão de sensações.

Ultrapassando o presente,
O passado!
Se remexer a memória
O meu baú de história
Vira um vulcão.
Saudade...
Melhor manter sedado 
Esse nada comedido
Coração. 

O vivido, o sentido
O desejado, o consumido
O eternamente adquirido
Na experiência total do amor,
Esse não tem dimensão.

Mora na saudade
Mesmo que ela se guarde 
No espaço mais oculto 
De uma particular prisão. 

Catarina Maul – Petrópolis / RJ

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SAUDADE É CONVULSÃO QUE AGITA AS ÁGUAS


Saudade é convulsão que agita as águas,
incertezas das marés claras e azuis.
São lágrimas verdes que turvam os mares!
Ilhas incertas que flutuam sem pares...

Saudade é praia absurda!
Sem continente, sem lares...
Angústia de não conter litorais,
e dúvida de não poder naufragar...

Dor absurda e desastre abissal
Verdade que banha e faz acordar
Nau que se atira e não chega ao final

Sentimento incerto
Quantas margens comportam essa imagem?
Mar de sentir atrocidades: sua falta é o deserto e o escombro do sal!

De Magela e Carmem Teresa Elias – São Paulo / SP e Rio de Janeiro / RJ

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Sentimento dolorido 

Dizem que saudade não tem idade
Eu, pra dizer a verdade
Com ela nunca me senti à vontade
Nem desejo ter familiaridade

Seu sinônimo é melancolia
Ainda mais se vem da nostalgia
De observar uma fotografia
Ou num papel, ver certa caligrafia
A dor se transforma em agonia...

Uma força age em minhas entranhas
Trazendo à tona lembranças ocultas
Pressiona o coração, que fica em chagas
Aperta meus olhos, que inundam com lágrimas

Por um momento visualizo um rosto
Sinto o cheiro, ou mesmo um gosto
E uma alegria torna-se o oposto...

Do meu passado começo a lembrar:
Lugares, pessoas, me fazem suspirar
Momentos que jamais irão retornar

Há quem goste de tal sentimento?
Não me agrada este sofrimento
Preferiria o eterno adiamento
De toda forma de afastamento

Mas na vida nada é infindável
Uma despedida será inevitável
Todo o nosso entorno é mutável
E a saudade vem... implacável!

Elciana Goedert  - Curitiba /PR

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Pedaços de mim
Foram extirpados

Na minh‘alma
Infinita dor

No meu coração
Outras batidas
De emoção

No peito
Um aperto

No olhar
Uma saudade

Sinto na pele
O pesar

Inexplicável
O meu eterno amar

Entre alegrias vividas
E ausências sentidas.


Condessa Cavalcanti – Porto Alegre / RS

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Saudade é um prato de carne
servindo legumes e peixes frescos
no almoço de amanhã

é o som que escapa
da caixa estourada do tímpano
do último maestro vivo

saudade é um tiro na cara
sem arma, sem bala
sem cama, sem gente
sem tempo
sem espaço
sem luz

Luiz Ribeiro - Petrópolis / RJ

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Poema de saudade

Pensei fazer um poema
pra ti-pra-mim; qual o tema?
mas ele já estava escolhido
pois meu coração dolorido
só sente agora saudade
e uma imensa vontade
de ter de novo o instante
passado que se faz presente
eterno em minha mente

O que sinto agora é a presença
da tua ausência e a crença
que o instante agora abstrato
concreto se faça de fato
então eu mude o tema
e ti-pra-mim nessa pena

em vez de pretérito ou subjuntivo
seja o presente do indicativo

Luciana Cunha – Petrópolis / RJ

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Saudade

Amor incontido que derrama por todos lados
É você saudade que não dá um tempo...

Caminho por entre os becos desse meu sentir
E você lá está
Espreita, espera
Alarde.

O que queres tão presente em mim?
Que eu me desfaleça de dor?
Que se rompam minhas entranhas?

Mas, porque resistir
Se tenho em você a minha mais nobre companhia?

Ana Lucia Souza Cruz – Rio de Janeiro / RJ

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Se for saudade te dou um beijo

Olá! Tristeza...
Como está hoje?
Quais sentimentos acometem?!
...Seriam novas paixões...?
Mas, paixões a gente esquece...

Com quais idéias iria rebobinar emoções...?
Divagações incandescentes:
Aquele "hoje" apertado
Que incomoda nos corações...?!

Ousaria dizer que o sentimento da gente
Pende para um lado transcendental...?
Ousaria viver alucinado, mudando o sentido de tudo
Dizendo que não é seu esse mal?

Aparta disso!
Para viver bem é preciso ter desejo.
Sentimentos, todos são passageiros...
Vê se esquece; se for saudade te dou um beijo!

De Magela e Carmem Teresa Elias – São Paulo / SP e Rio de Janeiro / RJ

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Saudade??

Mão de todo poeta
verso presente
no esteio no crime
do vasto querer...

nuvens que passam
estrelas que ficam
no vértice do olhar
na mesma quimera...

só.

Leonardo Fonseca – Petrópolis / RJ

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(Fiz esse poema em homenagem ao meu irmão querido, Marcus)

Energia da vida

Nos cântaros mais profundos
Da minha alma
Você reside
E continua vivo
Com seu ar sereno de meninice
Meu irmão
Minha alma gêmea
Minha fonte de ternura e alegria
Que me socorre...
Quando a tristeza insiste em fazer morada no meu coração
Vens...
Vens como uma canção carregada de saudade e alento
Saudade boa de ti
Dos nossos tempos de criança
Quando eu, um pedacinho de gente
Ignorava suas limitações
O colocava num carrinho
E brincávamos felizes no quintal da nossa casa
O tempo passou...
Querias conquistar o mundo
mas...o mundo não oferecia estrutura para você
vesti uma armadura
Me fiz guerreira
Enfrentei leões e dragões
Para buscar o melhor para ti
Mas...quis o destino
Partiste cedo
Deixando a saudade como companheira
Em cada criança especial
Que vejo
Sinto tua presença
Tua energia
Energia pura
Como diziam, pessoas que nos conheciam
Energia de amor
Energia da vida!

Jane Marques – Petrópolis / RJ

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Meninice adúltera

Tenho de ti o aroma da saudade
Leque levado, contestava tudo.
Quando viver parecia absurdo
Trago a certeza da sua sujidade.

Na inexperiência da pouca idade
Juntei todo um parco conteúdo
Que hoje nesta folha de papel, desnudo.
Acentuando a minha tola piedade.

E por tanto e amiúde haver pensado
De como seria quando houvesse chegado
O dia em que me tornaria homem

Penso que talvez não chegasse nunca
Esse dia, já que agora nessa noite funda.
São as mesmas incertezas que me consomem.

Avel Dichter  - Duque de Caxias / RJ

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Saudades

Saudade é tudo junto e misturado.
É quente,

Denso,
forte,
doce e amargo.

Saudade é a lágrima,
gosto do amor,
do desejo,
do bem...

Liberdade
fluxo viajante da alma.

Saudade queima,
Inventa,
arde...

Sensação
amor
união
dádiva
alegria
divina
emoção

Passagem fixa no coração.

JG Poeta da Alma – São Paulo / SP

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Com a saudade viajou (2)

Nunca deixei de querer a saudade!
É nela que se guarda a ilusão que virou verdade!
Aqueles momentos que não consigo entender
E os entrego, para que ao tempo, eles viajem.

Para que subir as serras?
Se a melhor paisagem tá aqui embaixo:
A paciência para que a vida esclareça
E eu possa te ver assim, partindo, como um cometa...

É quando sigo o meu raciocínio
Que a saudade pouco a pouco se transforma:
Tudo é tão simples, e tão maior!

Daquele momento, tudo virou contemplação...
Essa forma divina de ainda sentir e dizer : Amor Eterno !
E que se dispensem as outras ilusões!

Carmem Teresa Elias– Rio de Janeiro / RJ

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Coração despedaçado

Quando você foi embora
deixou um vazio no meu peito
que chamo saudade.
Vazio que destruiu o meu coração de tal forma
que não consigo me alimentar direito.
Desde o dia em que saiu de casa
o meu coração não para de chorar de saudade.
Como um simples sentimento
tem o poder de destruir nosso coração de tal maneira?
Por causa desse sentimento
meu coração esta despedaçado.
Não quero mais fazer outra coisa
senão passar o dia inteiro dormindo
só pra sonhar com você.
Toda noite eu sonho e toda amanhã eu
choro de saudades de você, meu amor.

Alan Bastos Lima – Petrópolis / RJ

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

CRIANÇAS


Como tudo na nossa Confraria da Poesia Informal vira poesia, nosso querido poeta do Japão Edweine Loureiro, propôs aos nossos Confrades que falássemos do Dia das Crianças... Assim, fica registrada aqui a nossa arte através da nossa singela homenagem a todas as crianças de todas as idades. 
Ser poesia é ser eternamente criança! 
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DEVER DE CRIANÇA

É brincar...
É imaginar...
E fazer lambança...

Vender bala,
Cortar cana,
Ou levar bala,
E entrar em cana,
Nada disto
É dever de criança.

Edweine Loureiro - Japão

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A ESTRELINHA SONHADORA

Sete luas iluminadas,
sete luas encantadas,
vinham descendo por uma escada
todinha de nuvens enfeitada.

A primeira, tão tristinha,
tinha os olhos rasos d'água;

A segunda, bem falante,
tropeçava nas palavras;

A terceira, muito alegre,
tanto ria que engasgava;

A quarta era cantora,
e que melodias inventava!

A quinta, bailarina,
parecia que voava;

A sexta era sisuda,
muito séria e recatada;

E a sétima, pequenina, tão branquinha,
tão miúda, quase nem iluminava.

Usava um sapatinho azul
e um vestidinho de laço, e fita.

Era, dentre suas irmãs,
com certeza a mais bonita.

Mas guardava um segredinho,
que a punha muito aflita
(Psssiu, falem baixinho...):

é que ela era uma estrelinha
que sonhava em ser artista.

 - Pero Vás

João Antônio Pereira – Porto Alegre / RS

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Ter um giz quadro negro
Na mão.
Fazer o que diz integro
No coração.
Guardar sua canção
Numa força motriz!
Passar o perigo,
Escapar por um triz.
Os ritos não se apagam
Quando existe a brincadeira,
Quando não se senta
Na dança da cadeira.
O pior é perder a imaginação
O pior é não saber trançar
As lembranças ou não ter nenhuma citação de memória
Do que viveu descendo a ladeira a mil por precipitação
Quem viu os mágicos sumindo as cartas
Trocarem os naipes
O rei virar rainha
A costura do sonho
Virar bainha de medo
Quem viu ou ouviu
Uma criança estranha
Com jeitos hippies
Alegre por que não serviu a nenhum modelo de pais e mães,
Apenas modulou no que tinha no seu coração.

Fernando Sousa Andrade – Rio de Janeiro / RJ

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Infância

Subia e descia em árvores
Corria pelo pomar
Rolava na grama, gargalhava, sonhava...
Sonhava com os contos de fada... com o príncipe encantado!
E sonhava também com a tal maturidade...
Um dia, ela chegou
junto vieram ensinamentos e muitas obrigações...

A vida ficou pesada!
Quase arrastada!

Onde estão os pomares e os banhos de mangueira?
O cheiro do mato molhado?
A fruta pegada no pé?
Fugiu também o príncipe encantado
E sapos viraram os donos do nosso coração.

A Infância não deixa apenas saudade
junto com ela vão-se também as ilusões!

Fernanda Forster – Petrópolis / RJ

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A menina que existe!

Para que lugar distante
Fugiu aquela menina
Que acreditava em fadas
E viajava nas asas
Leves da Literatura?
Em que endereço tão longe
Agora se esconde a menina
Que era heroína e santa
No auge da sua bravura?

Para que planeta foi ela
Com sua alma inquieta
E seu poder de mudar a história?
Onde hoje ela se encontra
Com seus versos corajosos
Seus discursos inflamados...
Perdeu-se ou achou-se em sua trajetória?

.....
Essa menina cresceu
Vive em meu coração
Protegida do tufão
A que chamamos maturidade.
E dentro de mim ela existe
Envolta em cores e sons
Envolva em sonhos e tons
Ela vive em liberdade.

Enquanto a menina sonha
Eu sigo abrindo o caminho
Em nome da nossa verdade!

Catarina Maul – Petrópolis / RJ

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Precisa-se de uma criança.

Precisa-se de uma criança
que sempre sorria,
que nunca seja triste
e que goste de chocolate.

Precisa-se de uma criança
que goste da lua,
que sonhe com o hoje,
que goste de Vinícius e também do Raul.

Precisa-se de uma criança
consciente e autoritária,
sensível e protetora,
alegre que saiba alegrar.

Precisa-se de uma criança
que esteja pronta para amar,
ouvinte e companheira,
que tenha no íntimo o perdão.

Precisa-se de uma criança
que viva intensamente,
que seja o “ideal”,
que tenha virtudes e defeitos.

Precisa-se de uma criança
livre de preconceitos,
pura,
sensível.

PRECISA-SE....

Rodolfo Andrade – Petrópolis / RJ
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Há uns três anos atrás, Uma menina de onze anos, chamada Malala Yousufzai, enfrentou os Talibãs pra defender o direito de ir à escola. Suas ideias foram parar na internet e encantou o mundo com sua coragem. Há uma semana, ela sofreu um atentado e está entre a vida e a morte. Fiz um poema em sua homenagem...

Sonho de menina

Menina morena
Guerreira menina
De corpo franzino
Olhos profundos e amendoados
Não desistas dos teus sonhos...
Sonhos tão simples e tão desejados
Sonho de andar nas ruas sem medo
Sonho de usar uniforme escolar
Sonho de ir ao cinema
Sonho de cultivar a alegria e a meninice
Soltando pipas ao vento
E histórias no ar
Sonho de ter sonhos para o futuro
Futuro tão incerto...
Sonho de aprender coisas boas dos livros
De estudar
Pra médica se tornar
E transformar o destino
Que esses loucos insistem em controlar
Mutilando sonhos
Matando a vida de inocentes
Com essa ideologia distorcida
Mas...mal sabe eles que tua força mobiliza o mundo
E está na torcida pela sua saúde
Ès uma flor de esperança no meio deste deserto de aflições
Volte menina!
Volte pra vida e continue sua jornada tão bonita.

Jane Marques – Petrópolis / RJ

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Ser Criança

Criança em flor
Que brinca
Que brilha
Reflete na alma
Vida sem fim
Espera do mundo
Encantos
Sem prantos...

Criança sem dor
Que tem cor
É puro vapor
Remete no riso
No olhar o frescor
Repete que dias melhores virão
Que sonhos sonhados
Serão realizados
Que a vida
Prá elas será
Toda pura
Pura de amor...

Claudia Marinho – Petrópolis / RJ

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Sou eu
Essa criança só faz lambança,
Cheia de esperança,
Não sai da lembrança...
Essa criança que hoje é adulta,
Sou eu...
Continuo a fazer lambança,
Mas assumo minha culpa...
Sou eu...
Mas mantenho a esperança,
Com perseverança...
E fé em Deus...

Felipe Quirino – Rio de Janeiro / RJ


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Que passa na TV?



No dia 16 de outubro de 2012, a CPI prestigiou a festa comemorativa dos 10 anos da TV comunitária petropolitana "TV Vila Imperial", onde a nossa idealizadora, Catarina Maul, apresenta todas as quintas-feiras de 16:00 às 16:50 o programa de cultura, Bem Cultural.
Segue neste post: a poesia, os sentimentos, as opiniões e as homenagens dos nossos Confrades à telinha!.. Ah, e também fotos do nosso varal que foi pendurado na Festa. 


Fotos do nosso varal (que ficou bem na frente do palco):





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Visão distante

a modelo pousou nua,
um passarinho posou na tevê.
em mim a antena captou
o que na tela ninguém vê.
o chuvisco não molha,
imagem que nos deixa deprê.
ideias com roupas e máscaras
em plasma, led, elecedê.
não há quem se importe:
o dia inteiro vê e revê.
e o seu conteúdo,
quem questiona por quê?

Vinni Corrêa – Rio de Janeiro / RJ

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Tarde de atriz

Escondida, engavetada,
sem a menor expressão.
Nascida de um coração,
de uma vida apaixonada,
mas não valia pra nada.
Com convite especial,
foi à TV, nada mal.
Numa tarde, bem feliz,
de um programa foi atriz:
Programa Bem Cultural.

Gilson Faustino Maia – Petrópolis / RJ


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‎ 

Jorge Ricardo Dias – Rio de Janeiro / RJ

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Telealienação

A tevê vê você
como mais um consumidor
um otário com numerário
pronto a se endividar.

Programas sem conteúdo
mulheres seminuas
futebol à profusão
noites de sábados sem tesão.

O que vale é a grade
o público-alvo
os índices do Ibope
o resto que se toque.

Mas, quando será?

Ricardo Mainieri – Porto Alegre / RS

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Hei?

Te conheci há quanto tempo?
Anos, meses, horas, minutos?
Sei lá, só sei que te conheci.

Nosso tempo é pouco,
mas o suficiente
pois agora és minha amiga.

Você de repente sem saber
se pôs ao meu lado
como ouvinte, companheira.

Você me ajudou sem querer,
fez do meu errado, certo.
É isto, falou o certo na hora certa.

E o que é melhor
fala também
TV você é tudo de bom.

Rodolfo Andrade – Petrópolis / RJ

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‎ TV...um vício?

Companheira...
sua amizade é necessária
ausência incomoda
faz falta!

É vício...
bom ou ruim?
Sua escolha!

Conduz o telespectador a construir...
a mudar de opinião.
Fique atento!
Não seja manipulado.

Provoca-lhe prazer...
Rouba-lhe o tempo...
Contraditória(forma...transforma...deforma);

É vício...
bom ou ruim?
Sua escolha!

Silvana Gonçalves Luiz – São Paulo / SP

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‎ Socorro meu deus

Um grito de socorro
Ecoa do morro

O pai ausente
A mãe descontente
O menino carente,
De oportunidades
E atenção!

E atenção!
A mídia só incrimina
Sem saber quem é culpado
Definindo o que é errado
Apontando um pobre julgado
Gerando olhares deturpados

E atenção!
A tela banaliza
A falácia sintetiza
Onde a mentira fiscaliza
Uma visão errada
Do que acontece nas quebradas

"Vixe Maria"
Desliga essa porcaria!
Saia da negativa fantasia!
Encha o prato com alegria!
Mire sua vida e sorria!

Leila Maria – Cruz das Almas / BA

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Você vê Vt
Gravou o que teve?
Apareceu na TV.
Você ouviu a voz:
Uma sonata que estava na vitrola
E sua mão não controla
O controle remoto
Que muda seu gosto,
Que te deixa tão encostado.

Abra o canal entre você e o rosto da sua namorada;
Por que não fazer de sua realização
Uma virada em sua nova vida.
Pó já não existe
Em teias muito estranhas e antigas,
Não tateia tanto este tubo.
Divida o tudo
E ande em programação consigo próprio.

Fernando Sousa Andrade – Rio de Janeiro / RJ

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TV

Da densa tela
emanam vícios,
caducos sensos.
Claustro coletivo
burlando a vera
dor
sangrando âmagos
em queda livre
rumo ao ocaso
de soníferas ficções,
ninando a vida
em braço estranho...
Monstro de energia
em cosntante apelo
a silenciar mentes
que agonizam
em mórbido
sorriso...

Juliana Brasil – Petrópolis / RJ

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Sueli Fajardo – Jandaia do Sul /  PR

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‎ANTENADO

Vê o mundo
Por uma caixa,
E ainda acha
Que sabe tudo.

Um parvo,
Um alienado.
E, contudo,
Confuso,
Diz estar antenado...

Edweine Loureiro – Japão

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Hoje, diante da TV


Era eu, era ela,
era a novela.

Um amor, a ilusão,
meu coração.
Era a noite, era a sorte,
era a morte.
Minha paz; quem me invade?
uma saudade.

A novela,
a ilusão,
a minha sorte.
Por que ela,
coração,
me traz a morte?

Eu, só eu,
e já bem tarde.

Era o amor,
era a paz,
eis a saudade!

Gilson Faustino Maia – Petrópolis / RJ

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Em ti e
De ti
Em ti
Palavra e imagem
Se casam
E entram nas casas com a força de um Titã
Pra informar,
alegrar,
Silenciar,
Entreter,
Polemizar,
Pra opinião formar,
Daquilo que convém ou não convém...

De ti
Notícias boas e más
Jorram!
Gritam!
E na sala de estar
Pedem atenção,
Pedem silêncio,
Pedem luta,
Pedem fé,
Fazem rir ou chorar...

Em ti
As ilusões ficam reais
As fantasias da mocinha e do bandido
Vem à tona
Em novelas, desenhos e filmes
Emocionam...
Fazem o mais insensível, prestar atenção
No desfecho final da novela das nove
E torcer pelo final feliz...
Essa é a força da TV em nossas vidas
Do Oiapoque ao Chuí
Do Japão ao mundão...
Ela informa,
Forma,
Globaliza,
E une povos distantes na mesma sala de estar.

Jane Marques – Petrópolis / RJ


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Todo mundo vê!

Para ficar ligado no que acontece no mundo,
bastar ligar a televisão
que se fica sabendo as notícias do mundo todo.
Não tem meio de comunicação melhor que a TV,
todo mundo adora ver!
Sem contar as donas de casa,
que ficam amarradas todas as noites
vendo as novelas.
Deixam até de sair para ficar assistindo...
E pior se for o último capitulo,
aí não saem mesmo de casa!
Também serve para conquistar uma moça.
É só convidá-la para assistir um filme,
principalmente se for um filme romântico.
Aí que a moça se derrete toda
igual a manteiga que passamos no pão!

Alan Bastos Lima - Petrópolis / RJ



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