domingo, 8 de janeiro de 2012

RENDAS....

Na presente semana, nossa Confraria se deparou com o primeiro poema publicado no grupo pela poetisa do Sul, Georgia Stella. E como tudo nessa Confraria rende, o poema sobre a renda de Georgia rendeu vários comentários, depois vários versos, e ainda várias poesias. E como a informalidade impera na Confraria, tem vários tipos de renda mas, sem dúvida, os instintos do grupo se voltaram para a sensualidade das rendas nas lingeries.
Ufa! Aqueceu-se a Confraria!

Renda-se à minha renda…
Aos meus encantos…
A todos os meus cantos…
Prendo-te em fendas…
Rendemo-nos à paixão…
(Georgia Stella)
 
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 Rendas

De renda se cobre a fenda
manchada do nosso desejo
sem medo vai a deriva
... escondida naquele beijo.

O braile da renda é nobre
na maciês de sua pele é real
escrito nos dois irmãos
não desvie, aqui é o local

Local de ascenção de hormônios
com formas perfeitas de belezas sedentas,
rendas multi cores e vários sabores.

Não render-se a renda é pecado mortal,
pois a renda é apetrecho
da paixão que vive oculta.
Rodolfo Andrade
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RENDA

Menina, você se renda
que eu lhe dou meu coração.
Quero ter essa fazenda
...
na palma da minha mão.

Gilson Faustino Maia
 
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A RENDA PÚRPURA

Quando veste a renda púrpura do desejo
Não é mais ela.
Passa a ser a libertina mais volátil
De prazeres obscenos, gozo fácil
A realizar instintos tão carnais.

E a mesma dança que faz gratuitamente
Para deixar seu homem mais contente
Passa a ter palpável e medido valor:
Custa quanto tempo custe a fantasia
O pacote de euforia
Que ela vende sem nenhum pudor.
Não engana – faz sexo – nada disso é amor!

Protegida em sua renda púrpura do desejo
Se transforma, reinventa
E suporta coisas que, sem a renda, não aguenta
Em seu cotidiano abissal.
E nesse auspicioso personagem
Que lhe fornece o pão, o vinho
e patrocina a engrenagem
Ela fatura a vida, enquanto...  sonha
Com uma casinha, lençóis limpos
Um amor... a dois... com nome
E uma rotina bem normal!
A renda púrpura do desejo é máscara
Que encobre esse profano e eterno carnaval!

Catarina Maul

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Render-se

Num encantamento de transparente não pudor
A esconder o que de mais belo possuo
Na quadra triangular de desejo
Veja, sinta e sorva meu cheiro...

Belo ensejo para podas de minha mata
É ter que te sentir em meu antro de calor
A render-se  às minhas súplicas mais enebriantes
A deixar que caia sobre nós aos montes de fervor.

Me dispa , tire de mim esse peso negro!

Agora jaz entre dentes  a render-se... a renda...

Ana Lucia Cruz

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NA BARCA DOS AMANTES,
SOB A NOITE INSANA,
A MUSA SE DECLARA E O POETA DECLAMA,
E ENTRE DENTES
A RENDA SE RASGA
SOB A NOITE NA CAMA.


SEBASTIÃO BERINI

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RENDA SOBRE PELE DE MULHER

vestindo vestido de renda
revelando velados volumes
...
a amada estende sua rede
de sedução e perfume
se aproximando suave
em sinuosas passadas
puro desejo move
meus olhos por orifícios
onde adivinho sua pele
seus poros seus pelos
de onde parte o aroma
que me empolga a libido
em sonhos de seda e veludo
em vontades de rasgar
revelar o adivinhado
em delicado pano vazado
estraçalhar o tecido
extravasar o animal
que vive sob minha pele
e derrubá-la ali mesmo
tocar inteiro seu corpo
e percorrer o seu corpo
e invadir o seu corpo
transformado em bicho louco
cheirar todo seu cheiro
e degustar o seu gosto
fazê-la saber-se fêmea
dar-lhe delírios de fêmea
descontrolá-la de si
mas a hora é de controle
ainda estamos no baile
levanto, pego sua mão
para rodar no salão.


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Lingerie

Ascenda..
Surpreenda...
Pra que assim,
Eu me renda...
Vens oferenda...
Em meu paladar...
Por baixo da tenda,
Ei de degustar...
Degustar-te à...
Degustar... Tatear...
E num suspiro profundo,
Paramos o mundo,
Que parou de girar...
Paramos o tempo,
Naquele momento,
Só pra namorar...
Quero pintar o seu corpo,
Te fazer sorrir,
Beijo o teu pescoço,
Prestes a te despir...
E pouco a pouco,
Tiro sua lingerie.


Felipe Quirino
Renato  de Mattos Motta 

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Escolha

Entre tantos os modelos pendurados
De diversos formatos, fazendas, matizes
Quando a segurei nas mãos tive certeza
Ser ela o figurino necessário
Para me acompanhar em momentos tão felizes.

Tentei ainda passear nos mostradores
(Peças novas tem especiais odores
E são todas arranjadas pra encantar).
Mas não houve jeito: amor à primeira vista
Essa escolha deu-se no primeiro olhar.

Tão pequena, coube num cantinho
De minha bolsa à tiracolo prespontada
Mas ao vesti-la foi como uma armadura
Nunca em outra me senti assim segura
Toda branca, fez de mim iluminada.

Se os homens tem camisas de seus times
Se as crianças, fantasias dos heróis
Nela sou o meu conjunto desejado.
Ora princesa, ora bruxa, ora madrasta,
Ora seduzo, ora obedeço, ela me basta
Sou protagonista em meu texto decorado.

Catarina Maul


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EMOÇÃO PAGÃ
 
Que emoção pagã
quando me enleio
... nos colchetes do sutiã
que prendem os teus seios.
E quando os meus dedos,
entre desejo e medo,
fazem escorregar o elástico
das tuas calcinha de seda
pelo teu corpo plástico,
na esperança que cedas.
Ah, que macia escultura,
desde a tua cintura
até o côncavo formado
pelas tuas soberbas coxas;
Lá tenho brincado
com a tua ardente poxa.
Deixa-me provar do teu vinho,
descansar meu pássaro no teu ninho.
 
Gilberto Wallace Battilana
 Porto Alegre - RS



 

3 comentários:

Clauda Shakti disse...

Estou estasiada com tanta beleza, do formal ao informal, isso virou normal. Todas deliciosas de se ler!! Parabéns a todos(as)!!

Elis Bondim disse...

Para mim os melhores poemas são aqueles que fazem os leitores sentirem um gostinho do que está escrito.
Poemas tão envolvidos em desejo e sensualidade como esses causam ao leitor até um certo calor.
Muito bons!

Catarina Maul disse...

Isso ai, Elis... Calor mesmooooooooo!! Claudia, obrigada pelo carinho e os elogios. A Confraria agradece.