sábado, 28 de janeiro de 2012

Palavras


As palavras são a matéria-prima do poeta. Escrever um poema é lidar com a tessitura das palavras, brincando com sons, sentidos, significados e não poucas vezes ressignificando, reconceitualizando as palavras num jogo lúdico, mas também muito sério... com a palavra, os confrades e suas palavras.


Palavras, caras palavras
Que bom que são indulgentes
com esse tosco insolente
que ousa manuseá-las
Não preciso assediá-las
que elas vêm flertar comigo
Sempre nelas tenho abrigo
Se faço especulações
de potenciais refrões
visitam-me aos borbotões
que por vezes me atordoam
pelo tanto que se doam

Monossílabas ou poli
Em classes de extensa prole
Circunflexo, acento agudo
Comigo fazem de tudo
Proparoxítonas mil
Algumas com ou sem til
Quem já sentiu sei que entende
que as palavras são duendes
na sua nobre missão
de levar ao coração
ideias e sentimentos
riso, sonho, força, alento
revolta e encantamento

Palavras, caras palavras
No nosso breu são faróis
e eu só um porta-voz
do que de nós extrapola
Palavras, sublimes molas
dando impulso aos nossos saltos
porque sonhamos com o alto
quando as palavras então
às estrelas voltarão

Jorge Ricardo Dias




Porque escrevo...

Não escrevo para ilustrar desejos
ou criar metáforas,
tampouco escrevo para expor a alma,
vontades secretas, riso, calma.

Não escrevo para acordar os sonhos,
limitar quereres
ou rimar sorrisos.
Até porque, mortal, desejo o paraíso.

Não escrevo para promover abismos,
traduzir tristezas,
completar loucuras, destinos,
nem mesmo quero colher desatinos.

Escrevo porque sou poeta
e da caneta escorre
o sangue da emoção.
Escrevo porque a pena pede
o desenhar corrido,
o verso expresso da ilusão.

Escrevo porque a vida quer
o sonho, o amor, a pausa,
implora-me o verso,
o choro breve,
o riso largo,
todo o mar de cor imerso.

Escrevo porque falo assim,
sinto palavras, sonho letra
vivo a força do vocábulo.
Escrevo porque sou poeta
e se não gritar em versos
surto, morro... calo!

Catarina Maul



PARA FAZER POESIA


Corto a vida em pedaços;
Misturo-os num saco plástico;
Sacudo bem;
Sorteio...
E digo Amém.


Edweine Loureiro





Relações textuais


textos
contradizem
textos,
saem de si,
detestam-se.
textos
falam de
textos
enfocam
fofocam
um texto
toca outro
texto
contempla
complementa.
textos
se tocam
se trocam
sentidos
textos
se testam
se penetram
se fundem
textos
sem pretextos
inauguram
novos
contextos.

Renato de Mattos Motta
Porto Alegre, 23 de maio de 2008



É o texto o escritor
A pena é que move a mão
do pretenso autor...

Jorge Ricardo Dias


Canção das palavras precisas

Preciso escrever poemas
com algo que me desvende
Nada assim com happy end
Sem morais nem nobres lemas

Preciso parir uns textos
Nem que sejam só pretextos
pra com palavras brincar
Fingir que não são meu ar

Preciso arranhar garranchos
Fazê-los de finos ganchos
que me soltem de outros tantos
pra mastigar meus espantos

Preciso de uma caneta
pra me tornar um cometa
que vai sem meta e sem medo
em busca do seu segredo

Preciso as palavras, tê-las
como o céu possui estrelas
como o sol instaura o dia
Inventar mais poesia

Preciso dar-lhes sentido
com sentimento e libido
Precisas ou imprudentes
Doces, cortantes, ardentes

Preciso fazer uns versos
de enxergar o universo
com o estranho olhar do artista
e não perdê-lo de vista

Preciso do verbo escrito
Recorrente ou inaudito
Nos sons, na forma, a canção
que me habita o coração
Jorge Ricardo Dias










Por que escrevo

Escrevo
sentimento
lamento
sofrer
caminho
agora
buscando
viver.

Escrevo
vida
agora
vivida
marcada
versada
semente
nascida.

Escrevo
amando
perco
viajo
somando
fragmentos
amo
escrever.

Rodolfo Andrade






PALAVRAS AO VENTO



Subo num banco da praça,

mostro que sou trovador.

Vou trovar, cantar de graça,

muitas trovinhas de amor.



Palavra busca palavra,

para o poeta escrever.

É fruto da minha lavra,

que mais eu posso querer?



Busco a comunicação,

aqui e em qualquer lugar.

Agora até no Japão

tenho um irmão com quem falar.



Cada um com seu discurso,

os versos vão escrevendo.

Eu aplico o meu recurso

e vão as trovas nascendo.



Jogo palavras ao vento,

faço chover poesia

para o meu divertimento,

plantando a paz e a alegria.

 GILSON FAUSTINO MAIA

Um comentário:

Sueli Rodrigues disse...

Olá,
Estava procurando uma imagem para ilustrar uma poesia e ela me trouxe até aqui... gostei muito do seus escritos e do blog que é lindo...
Peguei uma imagem emprestada, se por acaso for pessoal é só me avisar que retiro, porém darei os créditos devidos.

Su