quinta-feira, 23 de agosto de 2012

OS VARAIS DE NOSSAS VIDAS

Não tem muita explicação, mas vira e mexe a nossa Confraria escreve sobre varais.
Isso se deu há meses, quando o tema já virou um desafio. Agora, com força total e muita inspiração, os poetas trazem seus varais de volta, ao lado de outros novos que vieram junto com os recém- chegados escritores.



Os varais me encantam...
(escrevo enquanto vejo-os balançar)
São felizes, repletos de possibilidades.
Neles convivem, harmonicamente,
o velho, o cerzido, o novo e o tantas vezes tingido...
O engomado, o mal lavado e o roto
O preto, o branco e o absurdamente colorido.
E todos a mim parecem ser só sorrisos...

Cynara Novaes – Teixeira de Freitas / BA

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Depois do amor
nossas intimidades
repousam
silenciosas no varal.

Ah, se falassem...

Ricardo Mainieri – Porto Alegre / RS

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Poesia no Varal

Pega o coração,
põe pra bater 
que depois de lavar, tá novo!
Mistura um alvejante
que a mancha rubra de sangue
das dores do passado,
todas vão embora.
Pendura no varal
que aflora...
Quara...
Vai ficando limpo,
vai ficando lindo,
o sol seca até as lágrimas. 

Dá uma passadinha e parte,
coloca um colar no pescoço
que aquela mancha no peito
fica imperceptível. 

O novo dia disfarça qualquer dor
de um jeito incrível!

Catarina Maul – Petrópolis / RJ

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A alma pendurada no varal
O sonho estendido no quintal

Quarar desejos
Ao sol da vida
Não tem preço
É nossa lida

Tudo ali
Lado a lado
Na mesma linha
No mesmo cordão
Fantasia
Lampejo
intuição

Manu Dias – Salvador / BA

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Trajetória de varal

A sorte sofrida 
na vida é partida 
com a esperança perdida 
no varal é sentida.

Sentir teu contato 
ao ver seu retrato 
pois sua beleza seu trato 
não é utopia é fato.

Só quero de verdade 
o amor sem maldade 
o vento confrade 
que marca a saudade.

Sem medo vou a frente 
com jeito diferente 
de amar a toda gente 
com o coração sempre ardente.

Você vejo bem perto 
é alegria, é deserto 
onde é descoberto 
no belo mais incerto.

E a vida continua 
eu a minha você a sua 
com esta dor que sempre flutua 
e no quintal se perpetua. 

Rodolfo Andrade – Petrópolis / RJ

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Varal

Amanhã meu bem, bem cedinho
Monte o varal, por favor ?!?
E com sol subindo mansinho
Quare este poema de amor?!?

Porque é preciso meu bem
Clarear os sentimentos...
Expor estes versos aos ventos,
no varal vê-los tremular...

E então, ao fim da tarde
todos estarão bem clarinhos... 
E assim, serão todos teus
Todos, todos...
Com os meus
beijinhos.

Paulo Roberto Cunha – Petrópolis / RJ

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Volta por cima

Então o sol surgiu em minha vida
depois da longa noite que eu vivi
e das imensas dores que eu sofri.
E a minh’alma não ficou caída,
após a sua fria despedida.
Porém não desejava esse final,
para mim não foi bom, mas não foi mal.
Foi cruel aceitar a sorte ingrata,
mas voltei a cantar na serenata,
após secar meu pranto no varal.

Gilson Faustino Maia – Petrópolis / RJ

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Um varal diferente

E no dia a dia
Eu que não sei fazer poesia
Me viro e reviro na lida.
E aqui e acolá 
Monto e desmonto
Varal com o que foi, é ou será (?).
E assim vou tentando
Com varal de histórias
A História (re)contar.

Tina Maria Figueiredo – Teixeira de Freitas / BA

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Vida nômade

Meu varal 
Em diversos quintais
Memórias retidas na retina
Vida de muitos portais

Ana Lucia Souza Cruz – Rio de Janeiro / RJ

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Lavanderia

Lavo a vida, 
roupas no quintal
Baldes de poesia
palavras no varal… 

Janaina Barroso – São Bernardo do Campo / SP

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Os varais e minha história 

Me ponho a pensar nos varais de minha vida
E nas peças que por eles pendurei
Tantos momentos foram neles estendidos
Nas roupas que algum dia eu usei.

Roupas felizes, coloridas que em festas
Me proporcionaram figurino ideal
Peças coringas, repetidas em momentos
Que imprimiam no espelho resultado sem igual.

Outras ainda, mais serenas, mais austeras
Que o meu corpo conduziram aos rituais
Formatura, casamento, batizados
Essas estão em fotos, dispostas tais postais.

Lembro-me ainda dos varais que abrigaram
Trajes que usei em cerimônias dolorosas
Como enterros, hospitais, dores que queimam!
O sabão não tira manchas rigorosas.

Mas um dia meu varal se coloriu
Vi esperança nos tecidos bem cortados
Peças pequenas, delicadas, tons pastéis 
Nasceu meu filho... vi meus sonhos pendurados.

Percebo hoje que os varais são tal diários
E eles guardam toda a nossa história.
Esses varais despretensiosos e sublimes
Conhecem mais que eu, a minha trajetória. 

Catarina Maul - Petrópolis / RJ

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Varal de roupas sujas

As roupas sujas e mal lavadas
Estão estendidas no varal
Apenas para secar, pois a máquina estragou.
E a preguiça era maior do que a vontade de esfregar

Falo isso para um ouvinte calado
Até o momento em que cansado de ouvir, resolve falar
Não são as roupas do quintal alheio
Que estão mal lavadas
Mas sim os vidros das suas janelas
Que precisam de sabão e água

João Aguiar – Tramandaí / RS

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Momentos Diversos

Tal qual a minha amiga Catarina,
também tive os momentos mais diversos.
Os rastros registrados de uma sina
que agora se transformam nos meus versos.

Eu queria saber andar ao léu,
muita coisa deixar lá no passado,
porém na estrada que segue ao meu céu,
são tapumes que escondem meu pecado.

De varal em varal, as fantasias
usadas no teatro desta vida
foram expostas a secar às ventanias,
penduradas, torcidas, retorcidas.

Gilson Faustino Maia – Petrópolis / RJ

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Varal de estrelas

Numa noite clara de lua cheia
Um varal de estrelas se desenhou 
No quintal do meu céu
E iluminou o caminho
Para o coração passar
Esse coração que andava à esmo
Perdido de si mesmo
À procura de direção 
Direção pra recomeçar
Recomeçar a sentir
Recomeçar a viver
Recomeçar a amar
Guiado pelo varal de estrelas e ignonando os obstáculos do caminho
O coração desmembrou trilhas tortuosas em matas fechadas
Passou fome e sede no deserto chamado solidão 
Até chegar no teu céu, onde aconchegado e seguro
Pôde, enfim, se instalar
E sob a luz da lua azul do teus olhos 
Recomeçar.

Jane Marques  - Petrópólis / RJ
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Varal do tempo

Cheio de lençóis,
lembranças e
lamentos...

Exceto por um Amor
que o vento levou...

Edweine Loureiro - Japão

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Pinguei algumas cores neste poema.
Embora o poema esteja a céu aberto,
Mas não me preocupei
Havia alguns temas espalhados...

Choveu e o eu lírico via as letras sumindo!
Guardei o poema numa sacola
E fui pra escola
Um professor disse-me: “tuas trovas parecem com o mundo”,

- Vá correndo pra casa!
Cheguei e nem tirei a roupa,
Fui direto para o varal

E lá preguei a poesia com pregador,
Ou melhor, como um orador,
Pois sabia que tinha que declamá-los em um sarau.

Fernando Sousa Andrade – Rio de Janeiro / RJ

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Varal de sonhos

Enquanto estende a roupa no varal
A menina sonha...
Sonha e espera por um mundo sem igual
Cada peça uma cor
cada cor uma quimera

Em seu mundo colorido
a menina brinca
Seu amigo é o vento
Também dança com o sol
Tem da brisa o acalento

Seu destino é o céu
Que imagina seu quintal
Com imenso carrossel
Inventado em seu varal

Luciana Cunha – Petrópolis / RJ

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Vários tipos de varais

É verdade que durante
a nossa vida usamos
vários tipos de varais...
Começamos a usar,
desde a nossa infância,
quando os nossos pais
nos pedem para estender
algumas peças de roupas
que estão molhadas.
Também podemos dizer
que não é só em casa
que usamos varais.
Tem vários tipos de varais,
como o varal literário
que usamos nas escolas
em exposições de trabalhos,
e até mesmo nos saraus de poesias.
Até os comerciantes usam
varais para mostrar seus produtos
e acabam atraindo clientes cada vez mais,
e vai melhorando a sua clientela,
de tal forma, que acaba
ficando maior do que imaginava
e o espaço que tinha
já não cabe mais nada.

Alan de Bastos Lima – Petrópolis / RJ

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Essenciais

Nos varais
sem alvarás
dos quintais
as roupas se parecem mais
com samurais
em batalhas campais
de artes marciais
Mas o sangue não corre, aliás
só correm vendavais
Roupas de cores de vitrais
em etéreos carnavais
Celebração de paz

Jorge Ricardo Dias – Rio de Janeiro / RJ

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Varal de uma vida

No varal da vida
pendurei meu coração
Deixei curar as feridas
pra voltar a emoção.

Com a chegada de um amor
foi pendurada a alegria
Enchi meu varal de cor
estendi sonho e fantasia.

Nasceram filhos, amores
roupinhas recolhi dali
O vento soprou as cores
e tirou tudo daqui.

Hoje, pregadores ao vento
minha alma levada na brisa
O varal ficou no relento
esperando outra vida...

Claudia Marinho – Petrópolis / RJ

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Elo

Manhã
Pela fresta da janela
Ganho mais um dia
Em raios que meu olhar
Desconfigura.
No entrementes de apalpá-lo
Sinto o resquício
Do aroma teu
Na peça íntima
Exposta no varal
Que vai de mim
Até você.

Avel Dichter – Duque de Caxias / RJ

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Pendurei o vestido de baile
e com ele a paixão proibida
ao secar, balançando ao vento,
não se torna a paixão esquecida?

Pendurei o uniforme que engessa
e nos deixa igual, padroniza
ao secar, balançando ao vento,
não esquece o rigor e humaniza?

Pendurei o lençol, confidente...
traz com ele juras de amor
ao secar, balançando, ao vento,
não me traga seu olhar, seu frescor?

Meu varal está cheio de peças,
muitas delas as deixo por lá...
elas são carregadas de histórias,
mas são minhas, não posso negar!!!

Fernanda Forster – Petrópolis / RJ

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Exposição de mim

Vejo,
Estendido ao relento,
Meus sonhos, sem alento,
No varal do porvir

Parafraseando a frase
Que se desgasta, com ar grave,
Sinto, dentro de mim,
A tristeza se esvair

Correndo contra o tempo
Oscilo contra o vento
Buscando por mim
Enfim encontrei a ti

Cleide Jean – Rio de Janeiro / RJ

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VARAL DE EMOÇÕES

Uma tempestade de desilusões
se abateu sobre minha vida
ela encharcou minhas emoções
mas não me dei por vencida!

Que mais poderia eu fazer?
Respirei o mais fundo que pude,
Não, não me deixei abater...
Tive que mostrar atitude.

Então recolhi as emoções
e as estendi num varal.
Carinho, recebi milhões
Calor que me foi vital!

Hoje, sinto-me renovada
Sigo a vida com alegria,
cada dia mais inspirada.
Enfim, liberta da tirania!

Elciana Goedert – Curitiba / PR

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Sentimentos no varal

No varal da vida secam sentimentos
Como os prantos amargos de outrora
Felicidades, infortúnios, tormentos
E uma emoção que ressoa no agora

Deixo secando sob a luz do astro rei
As tristezas e as melancolias infelizes
E por cima das dores que passei
Fazem ninho e defecam os perdizes

Deixo o amor muito bem estendido
Para que ele logo se reestabeleça
O ódio deixo encolhido e torcido
Para que ele morra e desapareça

Meus pregadores são resplandecentes
E iluminam o meu varal de emoções
Pois que de tantos versos decentes
Esqueci-me de pendurar as minhas paixões.

Filipe Medon – Petrópolis / RJ

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Jussára C Godinho – Caxias do Sul / RS

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Varal

Penduro-me nesse fio
Onde meu corpo
Lavado,
Penetra intensamente
A minha alma.
Raios de sol
Revigoram minhas energias.
Fixo-me a pregadores
Que não me deixam ir.
Leve,
Solto,
Intenso.
Os ventos que tocam meu rosto
Transportam-me
Para outro plano...
Impacto profundo.

JG Poeta da Alma – São Paulo / SP

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Enquanto caminho em corda bamba
a minha vida o vento quem leva
e se faz sol, frio, chuva ou se neva,
roupas balançam, como quem samba

E mesmo que me chamem de camba
eu nunca me levo pela raiva
sei que se cair, caio na relva
relva que reflete a luz do âmbar

Onde o meu varal se localiza
é donde eu vislumbro a paisagem
é onde me bate a melhor brisa

leva rumo à mais bela viagem
mesmo que o caminho seja cinza
sigo no balanço e com coragem

Eduardo Carvalho – Petrópolis / RJ

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LÁGRIMAS AO VENTO

Deixo as lágrimas secando
ao sabor do vento,
para que se soltem, voem,
ao seu movimento.

E percam-se nos dias,
no esquecimento,
as horas vazias,
cheias de vazios momentos...

Deixo a alma ao sol,
estendida ao relento,
para que ressequem seus
inúteis lamentos.

E percam-se nos dias,
no esquecimento,
as palavras ditas
a sós, em pensamento...

Deixo a porta aberta aos sonhos
que se vão com o tempo.
Contemplo o vazio que aumenta,
mais e mais, por dentro.

E sem outro carinho
que não o silêncio,
embalo o amor, sozinho,
feito em frio, em falta, em vento.

- Pero Vás

 João Antônio Pereira - Porto Alegre / RS

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NOSSO VARAL

Quero falar sobre teu ciúme;
Exibi-lo em um varal,
Junto ao queixume,
E tudo que nos faz tanto mal.

Ideias loucas que assustam, como pendurar o amor em cordas no quintal.
Falta de tempo e de sintonização!
Pelas roupas íntimas a nos vigiar,
Como se fôssemos casados na intimidade de textos!

Palavras não se penduram num varal...!
Valorizadas seguem a versatilidade do ciúme e de queixumes...
Mesmo sem o querer de apenas uma forma de harmonizar,
Um cesto de roupa suja em nossa vida teremos que lavar.

Formalidade e frieza dançam conforme a música...
E a chuva que vem depressiva, lavando as palavras que se havia estendido.
Releve! Torça o verso para retirar o excesso.
Ao que ainda queremos neste universo, junte a sobra do amor!

Carmem Teresa Elias e Roma Magela

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Tiro o meu chapéu

O meu varal é eclético,
É Vida Real... É PoÉTicO...
E sempre acaba em SAMBA...
É Divino... Sobrenatural°°°
Tiro o meu cHApÉu...
CHEGOU...
A CONFRARIA DA POESIA INFORMAL!!

Felipe Quirino – Rio de Janeiro / RJ

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Varal

Era coisa normal
sujar roupas penduradas
disputando no quintal
as nossas peladas.

Vovó Alzira, não se importava
pois roupa se lava novamente
e além do mais ela amava
ver o seu neto contente.

Mas isso não me eximia da culpa
e de cabeça baixa, respeitosamente
pedia a ela mais de mil desculpas.
Vó "Zila" as aceitava carinhosamente.

Depois disso a bola voltava a rolar
num ritmo intenso daqueles de alucinar.
Mais um chute e que terrível azar!
Será que dessa vez a Vovó vai desculpar?

Alex Avena – Petrópolis / RJ

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Lucia Regina Ferrari Silva – São Leopoldo / MG

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Varal...

Essa cordinha envolvente me incita Sarau...
Preso assim, com fio de nylon na Praça Dom Pedro...
E eu ajeitando os pregadores e os poema com o Matheus José Mineiro.
Para mim, um pregar que tem som de melodia.
É assim, uma cheiro lavado de um novo dia... Aurora!
Mais que varal e sarau é CONFRARIA!
Arte, luz e magia... sempre, agora:
varal é vida, é sonho, é arte, é POESIA!

Luana Lagreca – Petrópolis / RJ
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