terça-feira, 21 de agosto de 2012

TÁ TUDO PACIFICADO!!!


Durante o Oitavo Sarau da Confraria da Poesia Informal, realizado no dia 15 de agosto de 2012 no Estudio S de Música, os poetas cariocas Sérgio Gerônimo e Mozart Carvalho fizeram uma esquete teatral que falava da pacificação das favelas do Rio de Janeiro e sua promessa (?) de paz.
O mote "tá tudo pacificado" ficou ecoando na mente dos poetas do público  que, atentos, também começaram a questionar o quão o mundo pode ser pacífico ou não, nas guerras diárias da vida.
E daí, surgiu o nosso presente desafio!


Sérgio Gerônimo e Mozart Carvalho

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RAP DO PACIFICADO

Eu te pergunto meu irmão
tu lembra da inflação?
Merreca, moeda
corrupção
e o povo com o cú na mão...

E você cidadão civil
(desculpa) servil...
faz parte desse canil
que bebe de um cantil
um dia chamado Brasil...
Puta que o pariu!
E essa constituição?
Prá gente uma negação.
texto apenas, engodo, falácia
Verdadeira prostituição...

Mas o que importa meu bom
se as coisas não andam bem
sigo em frente mordendo a língua
sigo em frente sem ser ninguém...
E você cidadão servil
Bebe deste cantil
em terras de Pindorama
hoje chamadas Brasil...

Puta que o pariu!
Há... País pacificado...

E você que diz ser irado
Discurso de revoltado
tênis da Nike “no pé”
Há, há... Tá todo
P A C I F I C A D O.

Paulo Roberto Cunha - Petrópolis / RJ

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Leila Maria - Cruz das Almas / BA

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FERIDAS MAL CURADAS

O ser humano pode ser muito cruel
destroi, constroi, destroi, constroi...
e assim vai detonando os que tocam...
Fazem intervenções maldosas
Mandam todos se foderem
provocam reações em cadeia
com consequências desastrosas.
Em volta a multidão aplaude
percebe apenas o que lhe convém
protege os seus
nada vê além.
Aponta seu dedo e julga
mas não sabe o que dizem
abriu-se uma ferida mal curada
que volta a sangrar
feridas mal curadas se abrem a qualquer toque!!!
Choro uma lágrima sentida...

Tânia Montoya – Petrópolis / RJ

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AO MEU AMIGO POETA PAULO ROBERTO CUNHA

Ficar sério, não consigo
se ao riso eu sou provocado,
mas onde existe um amigo,
“tudo tá pacificado”.

Gilson Maia – Petrópolis / RJ


Na foto, Gilson com a boina do Paulo Roberto Cunha

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REVERSO

O deus arma cospe fogo
no jogo torpe e perverso
do reverso da medalha
A mortalha é a bandeira
da caveira sorridente
Rente é o corte
Sorte selada
O nada eclode
Explode a bomba
Em sombra erode
Erige o caos
de cáustica fúria
A injúria que entranha
Na sanha homicida
a bala perdida
que a vida é contra
encontra endereço
O preço 
O avesso do sonho
O avesso medonho
da luz de um sorriso
A paz
sepultada
no cavar das pás.

Jorge Ricardo Dias – Rio de Janeiro / RJ

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Jorge Ricardo Dias - Rio de Janeiro / RJ

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TÁ TUDO PACIFICADO

"Paz sem voz. Não é paz, é medo"
em meio ao caos, esquecemos dos lírios do gueto
no silêncio, a babylon te sorri, tenha cuidado
desconfie de tudo que tá pacificado
no mundo que aliados entram em conflito
o mínimo de contato gera o máximo de atrito
de trincheiras existências pedem algo mais
mudas gritam, em especulações irreais
sun-tzu chora, sem arte, sem guerra
por toda parte, ideia de bonaparte não mais impera
a guerra é lucida, mostra as feridas da terra
num suspiro de vida, a realidade berra
a falsa democracia mente
a maioria finge que entende
vc acredita em sonhos com cifrões alucinados?
prefira a guerra, ao ouvir dizer que tá tudo pacificado

ga(bri)el kopke – Petrópolis / RJ

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Alex Avena - Petrópolis / RJ

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MISÉRIA

Como posso ficar
Calmo com tanta gente
Passando fome.
Sem ter o que comer.
Só por pedir uma esmola
Ou um prato de comida,
Não seria bem mais fácil
Ajudar essas pessoas
Que passam fome?
Como é que as pessoas que tem dinheiro
Fica jogando comida fora sem pensar
Nessas pessoas que daria tudo 
Por um prato de comida
E um lugar para dormir.
Sem precisar de disputa
A marquise na Rua Tereza
É muito menor o pão que
Encontra nos latão de lixo.
Será que é tão difícil
Dar um prato de comida
Para quem tem fome?
Depende de cada pessoa
Que tem o poder nas mãos
Faz a sua parte
Só assim vai acabar
Com a miséria do mundo
E nós poderemos dizer que: 
está tudo pacificado

Alan Bastos Lima – Petrópolis / RJ

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TÁ TUDO PACIFICADO

De beleza suprema,
 com rosto de criança,
com o corpo de mulher
que a mente já balança.
A tarde já bem gostosa
espera o grande menino
do muro de olhos cansados
mas sempre doce e felino.
A vida pesa nos olhos,
lindos sobressaem no rosto,
 que forma a beleza criança
com todo seu brilho exposto.
Sua pele macia ceda,
veludo que sempre brilha
espero que conceda
pois nem sempre segue a trilha.
Cabelos de fios longos
que ao vento estão a bailar
esquecem que exalam cheiro
certo para te adorar.
Linda você por inteiro
o que passou é marcado
hoje só espera ouvir:
Tá tudo PACIFICADO.

Rodolfo Andrade - Petrópolis / RJ

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Pacificação já

Comemorar já
fingimento, não sei não
pacificar-se-á.

Só ficar falando
tudo passa dolorido
mas pacificando.

Cura com o tempo
avesso a contradições
só pacificações.

Cristal quando quebrante
a marca é eterna sim,
som pacificante.

Contrários a paz
tem medo de errar
não pacificar.

União a palavra
forte que une a poesia
pa-ci-fi-ca-ria.

O mantra é marcado
marca o aqui e agora
tá pa-ci-fi-ca-do.

Rodolfo Andrade - Petrópolis / RJ

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Paz

(a)mém
aos homens de coração
coroados de candura.
Paz
zen
na contínua impermanência
de tempos & espaços.
Paz
sem
meias palavras.

Ricardo Mainieri – Porto Alegre / RS

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TÁ TUDO PACIFICADO!

Estupradores violentam criancinhas
Reféns de seus instintos impensados
Freud explica! Monstros são absolvidos
Mas está TUDO PACIFICADO!

Prefeito faz cara de santo na telinha
E o povo é vilmente massacrado.
Tem na ponta da língua a ladainha
Finge que faz, fingimos ver... TUDO PACIFICADO!

Poetas “cagam merda” pelas ruas
Depois, em cena, impostam versos decorados
Falam de amor, de paz, de união, mas na rotina
Fodem o mundo... Ah, está TUDO PACIFICADO!

Políticos apertam mãos de velhinhas
E dão balinhas para um povo esfomeado
Que na burrice de suas limitadas perspectivas
Ainda agradecem... TUDO PACIFICADO!

Autoridades cobram comissões tão arbitrárias
Para a proteção que deveria ser legado!
E os eleitos a pagarem, chamam de aliança
Esse negro acordo... TUDO PACIFICADO!

Melhor ter uma escopeta, uma AR15
Alguns amigos do poder mais camuflado!
Que meu verso é pacificado...
Que meu mundo é pacificado...
Mas quem sabe eu precise de um “amuleto”
Para os que não entendem o significado!

Catarina Maul – Petrópolis / RJ

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LIBERTAS QUAE SERA TAMEN

Menino de Gaza,
Finge que a dor não existe;
Cerra os olhos…
E voa.

Edweine Loureiro – Japão

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Madrugada

a noite esquece de adormecer
olhos de gato iluminam
cada sonho
um gato preto na estrada
um silêncio
um prenúncio de alvorada
espalho sorrisos no ar enquanto aguardo a hora de te beijar
esqueço a rotina que me enterra
nessa hora, paro
tudo pacificado
teu olhar na minha alma
tua voz na minha cama
teia de aranha
e eu?
Pura chama

Deliamaris Acunha – Porto Alegre / RS

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“Tudo pacificado” II:

Sala de aula
no morro pacificado
pacifiquei meu olhar
pra não enxergar tua dor
menino cansado 
nessa guerra já és senhor
quem te faz assim idoso
com apenas 10 anos de estrada?
quem implanta essa agonia
na tua vida
no teu olhar
na tua sina?
menino cansado da guerra
dia a dia assim às cegas
passo a passo pro silêncio
paz incapaz de mudar
paz que não pacifica
morte fica
fica
pacifiquei meu olhar
pra não enxergar tua dor
mas ela invade meu sonho
no morro
eu desmorono

Deliamaris Acunha – Porto Alegre / RS

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PACIFICADO

Depois de tanto reclamar da sorte
de esperar a tal da morte
melhor mudar toda a história
pacificar a memória
tem que haver tempo pra amar!
Muito sangue, muita dor...
Falta ar, é um horror!
Não há a quem reclamar!!!
Não andamos, só corremos
Vivemos? Sobrevivemos!
Num mundo de tão pouco amor!!
Resolvo listar os sonhos,
meus amigos tão tristonhos...
tão sem nada a fazer.
Depois de tanto tiroteio
de viver intenso medo 
vejo difícil retorno.
Mas no fundo, lá no fundo 
perto, bem perto do ego.
Sinto meu corpo calar!
Queria mudar essa história,
fazer nova trajetória,
o mundo pacificar!

Fernanda Forster – Petrópolis / RJ

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É PRECISO TER UM MILHÃO

Descendo de cada morro
Com uma metralha na mão
O povo pedindo socorro
Vai rolar uma invasão.
Já cobriram com o gorro
A face da fúria e da repressão.
Em Planaltos tão centrais
Escorrem águas de cachoeiras
O exército vermelho quer mais
Poder em todas as fronteiras.
O dinheiro escorre, tanto faz
Vivam as velhas empreiteiras!
Nos morros, só há revolta
De quem sofre com a desigualdade
É um caminho sem volta:
É morrer ou seguir a marginalidade.
Agora é preciso de escolta
Para ter a pacificação da sociedade.
Em cada tribuna, em cada bancada
Há homens bem vestidos 
Na favela tão desesperada
Há pobres e bandidos.
Querem a paz armada
Querem que sejam punidos!
O bandido verdadeiro
Não se sabe qual é
Quem tem dinheiro
Não liga para ralé.
E o velho romeiro
Ainda acredita na fé...
A ganância segrega a virtude 
A estupidez cega a multidão
O medo exila a plenitude
O sistema exclui a união. 
Não adianta ter boa atitude
Para ter paz é preciso ter um milhão.

Filipe Medon – Petrópolis /RJ

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PAZ

Sublime estado de alma,
E de consciência coletiva,
Onde a harmonia impera,
Na mais absoluta essência da vida.
Bem aventurado aquele,
Que ao lidar com suas diversas faces,
Sublima suas emoções humanas
Em temperança e boa vontade.
Bem aventurados os que concebem,
Recolhimento ao seu infinito profundo,
E nesta meditação regozijante,
Pacificam o próprio mundo.
Sublime Estado D’Alma.
Harmoniosa temperança coletiva,
Sejamos, pois, guerreiros da Paz,
Aprimorando o Amor incondicional pela vida.

Douglas Rhamsés – Petrópolis / RJ

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SAUDADE QUE NÃO CABE

Quando sinto que não estás por perto
Minha paz finda
Dando lugar a uma dor infinita no peito
Fico assim
Suspensa de mim 
E nas constelações, vou procurá-lo
Procuro-te nas melodias que faço
Procuro-te nas poesias que crio
Procuro-te no limiar da loucura dos meus dias
E não é que o vento me leva até você?
Visito tua alma
Sinto tua energia
Que emana paz
Uma paz de calmaria, aconchego e alegria
Ah! a alegria
Que me faz ir ao infinito
E escorregar no arco-íris
Que dá no seu quintal
Do outro lado da rua
E com uma heroica coragem 
Entro em sua casa
pra dizer que a saudade não cabe mais em mim
Ela transborda
E quer você todos os dias.

Jane Marques – Petrópolis / RJ

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Ser fragmentado
Deserto de detalhes
Abandono
Cada um tecendo sua própria aliança
(Tá tudo pacificado)
Ser partido?
Onde está seu centro?
Não está mais em si
Perdeu-se nas coisas
(Tá tudo pacificado)
A palavra
Instrumento principal
da arte que liberta
sabotada
persuadida
persuadindo
(tá tudo pacificado)
Mas há um lugar
para o ser se encontrar
e se tornar inteiro
Ser ele o centro e verdadeiro
(e então pacificar)
Onde a palavra
nobre como ela é
tem lugar sagrado
Altar enfeitado
E se torna poesia
(para então pacificar)

Luciana Cunha – Petrópolis / RJ

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Paz-Ilusão

Nesse mundo de ilusão
Nem tudo que brilha é ouro, não.
Gente que parece gente?
Ih, tá cheirando a cão danado!
Mesmo assim, tá pacificado?

A peia come solta, meu irmão.
Não é mole não!
Quem vacila apanha mesmo.
Sobra pra tu a tal pacificação?

Todos sentados na boca do inferno
Clamando pela Paz,
Mas fazendo Guerra!!!

Ana Lucia Souza Cruz – Rio de Janeiro / RJ

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Dedo de Deus

Estamos no alto do morro,
Olhando pro "Dedo de Deus",
O povo pedindo socorro,
Pedindo à Deus... (O que?)

Paz, saúde, sabedoria...
Ó Pai por favor olhai
Nossas crianças,
Nossas famílias,
Salve o povo
E o pão de cada dia...

Eu não quero ver
O mundo padecer,
Insano e profano
Com mortes e guerras...

Eu só quero ver
A paz resplandecer,
Junto com o amor,
No Planeta Terra...

Eu só quero ver
A paz resplandecer,
Junto com o amor,
No Planeta Terra...

Junto com o amor,
Em nossas favelas...

Composição: Felipe Quirino, Chicão, Jhon Jhon e Marlon Assunção

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Pacificado será ???

Projeto no papel
UPP nas ruas
governantes cegos
policiais nas ruas

Subindo a favela
marginais viram a volta
bandidagem na tela
população revolta

Tá tudo combinado
tá tudo machucado
é sangue balas
tiro pra todo lado

Pacifica a dor
Pacifica o morro
pra daqui a pouco
começar de novo

Claudia Marinho – Petrópolis / RJ

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Se pudéssemos escolher!

Ouço...mas não quero ouvir;
Vejo...mas não quero ver;
Sinto o que não quero sentir;

Se pudéssemos escolher!

Gostaria de paralisar
as mãos frias do homem que atira;
trocar as palavras agressivas por gestos de Amor!
Mas não é assim...
Tenho que ouvir a notícia ruim;
Vejo mais um massacre
e sinto a tristeza que chega como uma bala;
como a bala que calou a boca;
como a bala que fechou os olhos
e estagnou os desejos do ser...
sentir já não pode mais.
Acabou!

Se pudéssemos escolher!
(tudo seria diferente!- Estaria tudo pacificado!)

Silvana Gonçalves Luiz – São Paulo / SP

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‎Pacificado

Se rotinas prevalecem
tudo está pacificado
a vida mantém seu curso
é rio onde desaparecem
cicatrizes que haviam ficado

quando mortas as ilusões
tudo estará pacificado
enfrentaremos o destino
sem pedras mas com canções
sem pressa nem desatino.

quando soltas as rédeas do tempo
tudo estará pacificado
viveremos ao sabor dos dias
a confiança como alento
em quase perfeita harmonia

quando aceitas as agruras
tudo estará pacificado
já não procuramos nada
despimos a armadura
somos bem mais que fachada

quando formos fortaleza
de amor desapegado
e soubermos apreciar a beleza
da vida como vier
tudo será pacificado.

Marizélia Finger – Porto Alegre / RS

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Pacificado?

Com suas armas em punho,
a pacificação chegou aos gritos
de “tá tudo pacificado”!
A tiracolo vieram os holofotes da tv,
Apontando para rostos de autoridades,
Muito bem maquiados.

Todos pensando estar enganando o povo,
e o povo deixando crerem que está sendo enganado.

Pergunto-te: Tá tudo pacificado?

Que paz é essa,
Onde as armas continuam a imperar?
Tiram nossa liberdade de ir e vir,
Nossa maneira de festejar.

O filme continua o mesmo,
só o elenco foi renovado.
Antes se misturavam aos figurantes (nós),
Hoje está uniformizado!

Pergunto-te: Tá tudo pacificado?

Luiz Santos – Rio de Janeiro / RJ

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Para mim
Paz se fica
Quando
Olhos não omitem
Quando mãos
Não demitem.

Para mim
Paz se fica
Quando
Coração emite
Opiniões de vida, apenas batendo,
Pulmão valoriza o ar ,apenas respirando,
Quando Kant decide
Que a razão paz se fique
O quanto Kantes.

Fernando Sousa Andrade – Rio de Janeiro / RJ

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Cordão e Ladrão: Tá tudo pacificado? 

E lá vínhamos pela avenida...
Dia de sol, turista, o verde e passos apressados.
Nem notei no ciclista,
Tantas cores, que é melhor caminhar.

Voltava para casa...
"Tudo parece ter uma cor especial
Quando se está de bem com a vida",
Dizia Bia. E paramos no sinal.

Ele abriu. Iniciamos a travessia...
O ciclista avançou em nossa direção,
Num movimento brusco, ingrato e malvado,
Arrancou minha bolsa e de meu pescoço o cordão.

Susto. Uma lágrima. Duas, três...!
Plataforma de dores é aceitar sem abnegação.
O inusitado nos aprisiona...
E o suspeito fugiu mais uma vez.

“Quem pode parar um rio que corre para o mar?!”
Quem reporá aquela medalha que ganhei quando a filha nasceu?!
Quem devolverá a suavidade de minha mãe bonequinha, dizendo: agora é a sua vez!
Quem reporá aquelas fotos de papai, em nossa última viagem?!

Modernidade.
Humanos misturados aos desumanos...!
Tudo abastado em meio à avareza
Maldade descarada que qualquer um traz à mão.

Homem fera...
A pior das criaturas soltas no Leblon
Babando por qualquer um, roubando em qualquer lugar,
Cachorro louco e sem coração!

De Magela/Carmem Teresa Elias – São Paulo / SP  e  Rio de Janeiro /RJ.

(Relato de fato verídico. Daí a indagação: tá tudo pacificado?)

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Que deverá ser pacificado?

Ah, essa paz que é como um jogo de dardos!..
Mirando o certo alvo... e atirando objetivamente...
Deixando o medo aprisionar a gente, nas telinhas
– PRESA, A MENTE.
Apressadamente - “Plin, plin!”...
e o consumismo toma conta das ondas...
...Nos cabos de “filantropia”...
nada de poesia, nessa telinha.
E menos ainda filosofia!

E ainda não nos demos conta de onde vêm os dardos...
Fardos, que nos deixa fadados ao “acaso direcionado”.
A alea pré-moldada social, que vem em forma de telejornal,
assim, “querendo levar apenas informação”...

Como quem não quer mais nada,
(afinal o que se pode querer se se morre a qualquer momento por bala perdida)
a mercê desse medo que nos cala,
A TELA, aquela coerção nos passa.
Sentamos em frente a TV,
vendo as guerras do mundo,
vendo o quanto é imundo viver!
Com isso deixamos de lado a paz que grita em nós...

E o nosso sonho atroz, como alcançar se as telas nos dizem?:
“Há tiros pra todos os lados!!! E o mundo precisa ser pacificado.”

Que está pacificado em nós?

Olhem, é fato!
Condicionamo-nos a esse “acaso pré-moldado”
que nos aprisiona, arrancando-nos a voz.

Não sei não, mas algo me perece errado!...
Se a paz é esse “dardo do acaso pré-direcionado”...
Mais um boba coerção do Estado, fato!

Que deverá realmente ser pacificado,
além de nós?

Luana Lagreca – Petrópolis / RJ

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Rodolfo Andrade - Petrópolis / RJ

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Um comentário:

silvana gonçalves luiz disse...

Parabéns a todos poetas e poetisas que participaram!!!Lindos textos como sempre.