domingo, 9 de junho de 2013

Desafio do Microconto


Microconto é um conto muito pequeno, e um gênero literário que despertou a criatividade dos componentes da CPI, e realmente foi um desafio para muitos de nossos confrades.

A brincadeira começou com a postagem de um artigo, no grupo do Facebook, pela Catarina Maul:  A hora dos microcontos, de Arnaldo Niskier, integrante da ABL - Academia Brasileira de Letras e presidente do CIEE/RJ.

O artigo, além de trazer microcontos premiados, traz a importante informação para a elaboração deste tipo de obra: o importante é "a inteligência na concisão das frases, a sua elaboração literária e a precisão vernacular".

Na escrita de um microconto, muito mais importante que mostrar tudo ao leitor, vale a sugestão, deixando que ele preencha as lacunas narrativas e entenda o que está por detrás da escrita.

O guatemalteco Augusto Monterroso é apontado como autor do mais famoso microconto escrito, com apenas trinta e sete letras:

                                   Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.

Ernest Hemingway, com apenas vinte e seis letras, expôs toda uma tragédia familiar no seu microconto:

                                            Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.

No Brasil, destacam-se microcontos de Dalton Trevisan, Luiz Rufatto e João Gilberto Noll.

Uma das definições de microconto estabelece o limite de 150 caracteres (contando letras, espaços e pontuação), e foi este o critério que aqui ficou estabelecido.

Convidamos você a conhecer os microcontos escritos por nossos confrades:


Seresteiro

"Voltou triste da serenata, ela sequer abriu a janela."

Gilson Faustino Maia
Petrópolis – RJ



Perdendo tempo ou ganhando experiência?

"Pensava esta perdendo tempo no twitter, mandando indiretas para a pessoa amada, que nada, estava escrevendo minicontos, que chique!"

Mary_Mariana de Oliveira
Petrópolis – RJ



"Colhido no ato de ser sendo, olhou para si mesmo e viu a sombra pálida de alguém já ido. E viu que assomavam os contornos de um ser inédito."

Adail Sobral
Petrópolis – RJ


A Máquina do Tempo

"Na relatividade aprendi a viver. Já estive no passado e, todo dia viajo para o futuro. E só por hoje, permito-me ser."

Lucas Vizani
Petrópolis – RJ


"Tudo que ela queria era ficar só, mas não conseguia se desvencilhar dos pensamentos... E dos pingos d’água da torneira desgastada de sua pia."

Ivone Alves Sol
Petrópolis – RJ


Negociação

"Vendeu casa, carro, trocou marido por amigo, e de brinde, ganhou felicidade."
Elciana Goedert
Curitiba – PR


"Quando passa a noite a viagem termina, o gosto amargo de Campari com laranja, fica no bafo da madrugada fria sem dormir,  alimento pra dor de cabeça."

Rodolfo Andrade
Petrópolis – RJ


"Ela adentrou minha sala balbuciando palavras que não eram as que queria dizer, mas seus lindos seios denunciavam através da rigidez de seus mamilos, seu real desejo."

Luiz Santos
Rio de Janeiro – RJ


"Sentou-se, a espera do amor, e em um piscar de olhos ele por ela passou.
Agora uma lágrima por sua face desliza no choro mudo da perda do que não possuía."

Cleide Jean
Rio de Janeiro / RJ


"Chora a parte usada, azul sua lágrima."
Rodolfo Andrade
Petropólis – RJ


"Na igreja, solitária, ela não ouvia o silêncio, mas o barulho ensurdecedor dos seus pecados jamais confessados."

Catarina Maul
Petrópolis/RJ



"Levava uma vida certinha e infeliz, até que no caos encontrou seu equilíbrio".

Elciana Goedert
Curitiba – PR



"Tinha todos os tipos de sapato do mundo, menos aqueles especializados em caminhar até a felicidade."

Catarina Maul
Petrópolis/RJ


"Chegou, cumprimentou os presentes e olhou para a mesa, ali estava o orgulho e a vaidade frios e brancos feito cera."

Gilson Faustino Maia
Petrópolis – RJ


"Ela disse sim. Ele a fez gozar plenamente, como nunca gozou. Nunca mais o deixou!"

Cristiano Argeu
Petrópolis – RJ


Rosa Arco íris...

"Olho uma rosa e nada me vêm a falar, desvio meu olhar e foco em outra rosa e tudo faz sentido no meu falar..."

Mary_Mariana de Oliveira
Petrópolis – RJ


Tardes no jardim

"Sentada no jardim, conversava com o vento. Dizia estar indignada, pois aquele pássaro, safado, com jeitinho de malandro, beijava todas as flores que encontrava em seu caminho."

Daniel Kleiz
Petrópolis, RJ


Vitória de um sorriso

"Andando pela rua passei por ela, vi uma lágrima furtiva. Voltei sorrindo e dei bom dia. Agradecida ela sorriu para mim. Me senti vitorioso..."

Luizão Bernardo
Seropédica – RJ


"Após falar-lhe com os olhos, deixou que seus braços e mãos conduzissem o resto da conversa, trazendo-a para junto de seu corpo com um fervoroso movimento."

 Luiz Santos
Rio de Janeiro – RJ


Balão

"Se elevou no balão, mirou o mundo do alto e percebeu o quanto era miúdo."
Giancarlo Kind Schmid
Petrópolis – RJ


Astro logos

"Traçou o mapa astral, viu os deuses dialogando em planetas e estrelas - foi chamado por eles para tomar as rédeas de seu destino."

Giancarlo Kind Schmid
Petrópolis – RJ


"No (des)encontro da partida - ele disse não - ela se foi. No (des)encontro da chegada - ela não disse nada - ele se foi. Nunca mais! Jurou Maria... Marcará encontro com ninguém."

Tina Maria Figueiredo
Petrópolis – RJ


"Dois teimosos e seus papéis molhados: bonecos de papel machè. Amassaram raivas e lágrimas. Agora riem das caras dos bonecos, e de suas mesmas. Estar junto vale mais do que tudo."

Roma Magela e Carmem Teresa Elias
Petrópolis – RJ



"Se hoje ainda sigo minha estrada,o caminho ou uma trilha, é mais por conta de meus amigos do que de minha sina ... Amigos são os parentes que você escolhe para ti mesmo..."

Luizão Bernardo
Seropédica – RJ


"Ao caminhar pelas ruas sentia o frio percorrer todo seu corpo. Debaixo daquele sobretudo nada a impedia."

Ana Lucia Souza Cruz
Campos dos Goytacazes, RJ


Insônia

"Acordo no meio do sonho. Que se precipita sobre minha lucidez. Ando pela casa, bebo do copo da claridade. O sonho volta extasiado de dúvidas".

Carlos Eugenio Vilarinho Fortes
Petrópolis – RJ


"Vale intranquilo coberto por dores espinhosas, brotou uma semente...
De que valeria definir beleza tão somente, se somos imperfeitos, indecisos e inconsequentes?! Que semente seria...?"

Daniela Valadares/De Magela
Petrópolis – RJ


Fome

"O corpo faminto lembrava um palito de dentes."

João Antônio Pereira
Porto Alegre – RS


"Como disse Raul Seixas, pare o mundo que eu quero descer. Como está difícil viver a falsa democracia!"

Jorge Guimarães
Petrópolis – RJ


Eu & Drummond

"Sentei do lado do Drummond, duvida?,
e ele veio me falar mal da poesia.
Respondi pra ele com ousadia:
Drummond, que tal cuidar da sua vida?"

Rogéria Reis
Rio de Janeiro - RJ


"Naquela nova manhã, nem mesmo o sol encontrou mais o seu rosto."

Carmem Teresa Elias
Petrópolis – RJ


"Após exaustiva rotina, entra em casa a bela mulher.
Toma um banho, se perfuma.
Revigora-se para o que mais quer.
Longas horas passam, e o amor vem
de um cão, que lhe convém."

Paulo Roberto Cunha
Petrópolis – RJ


Reflexo singelo da beleza...

"Passarinho tão lindo! Na ânsia de tua sede saciar, deliciou-se com a beleza do seu reflexo refletido em águas límpidas e cristalinas..."

Mary_Mariana de Oliveira
Petrópolis – RJ


"Em nome da profissão, Taís tinha que se segurar. Em nome do amor, ela tinha que ousar.
Atriz apaixonada por ator. Foi o beijo técnico mais fervoroso da TV."

Elis Bondim
Petrópolis – RJ


Numa noite qualquer

"A porta se fechou. O amor acabou.
Restam apenas as lágrimas sobre os sonhos. Sonhos molhados."

Daniel Kleiz
Petrópolis – RJ


"De um lado, o poço; de outro, o corpo; entre eles, um copo."

João Antônio Pereira
Petrópolis – RJ


"Maria Pia,prima de Laurinha,adorava quando ia para o sitio do tio no interior de Minas.As duas amanheciam brincando,correndo por entre os laranjais e sempre molhavam os pés a beira do riacho.Elas batizaram o riacho de Riacho da Alegria!
Foi numa destas manhãs que Maria conheceu Leo, quando ela se banhava cheia de graça ,corpo molhado,alma e corações abrasando e um beijo jamais esquecido."

Regina Gonzalez
Rio de Janeiro - RJ


"Se o caminho é longo demais até mim, não precisa caminhar. Estou aqui."

Rodolfo Andrade
Petrópolis – RJ


"Na intenção de agradar, obedeceu a gregos. Obedeceu a troianos. Acabaram todos derrotados por bárbaros."

Carmem Teresa Elias
Petrópolis – RJ


"Andou, andou, pesquisou e descobriu: a vida é uma barbaridade."

Gilson Faustino Maia
Petrópolis – RJ


Face and Fake

"Chegara atrasado ao encontro. Olhou em volta e não percebeu a garota loira e bonita da foto. Saiu caminhando, triste. Uma moça gordinha e morena enxugava os olhos e apenas olhava um horizonte vazio."

Ricardo Mainieri
Petrópolis – RJ


"Andava apressadamente,mas a saudade a consumia em cada passo dado adiante.Saudade não do passado,mas da forma particular que lidava com ele."

Fernanda Forster
Petrópolis – RJ


Em algum lugar

Ela foi embora, vento gelado, chuva fina, nada disso importa...
O importante ficou em algum lugar, á espera da sua volta.

Mary_Mariana de Oliveira
Petrópolis – RJ


"Marquei o encontro na esquina. Desci a rua, cruzei o sinal e voltei. Faltou coragem, preferi evitar o reencontro com o amor."

Fernanda Forster
Petrópolis – RJ


"Eram íntimos. Conversavam diariamente, cada um em frente a sua própria “janela”. Um dia, esbarraram-se na rua e sequer sorriram um para o outro. "

Elciana Goedert
Curitiba – Paraná


"Uma manhã sem neblina : somente seus olhos diante dos meus."

Carmem Teresa Elias
Petrópolis - RJ


"Vaga a noite caminho desconhecido, esperando Baco galantear Vênus entre as mesas de um boteco vazio."

Rodolfo Andrade
Petrópolis – RJ


"Uma seguindo a outra, dobraram a esquina, se perderam. Felicidade pra um lado, certeza pro outro restando fios de esperança pra tecer amor."

Alex Avena
Petrópolis - RJ


"Sofria sóbrio até beber de cair. Embebia-se só."

Giancarlo Kind Schmid
Petrópolis – RJ



"No virtual foram por noites confidentes e enamorados. Até que, ao vivo, reticentes e estranhos. Delete. O sinal caiu."

Catarina Maul
Petrópolis – RJ


"Ela, a dama de cartas abertas, se atirou aos loucos momentos de invadir madrugada em calçadas nuas de Copacabana. Tinha uma vida meio cá, meio lá, entre regras, mas também se chegava a alguns momentos de imensa permissividade. Se descuidava dos limites e colocava o bloco na rua.
Resolveu correr as boites, todas, desde a Avenida Princesa Isabel até o Posto Seis, bebeu, fumou e dançou no show dos leopardos. A dama de cartas abertas escancarou, arrebentou a boca do balão e só chegou em casa no dia seguinte, cansada, tropeçando sono, mas nem um pouco arrependida do que viu e fez. Estava ali, retornando a vidinha de sempre, mas algo mudou dentro dela, bem lá no fundo, bem dentro dela.

Regina González
Rio de Janeiro – RJ


Paisagem da janela
"Prédio quase vazio. Da janela, olhou o povo e o asfalto. Noite. Sensação de frio. Aprumou-se. De repente, o salto. E o silêncio, depois."

Ricardo Mainieri
Petrópolis – RJ


Trabalho de Ciências. Os Micro-contos.

Os Micro-contos são animais de pequeno porte e forma indefinida. Ainda não foi possível datar, com precisão, o seu aparecimento na terra, porém, supõe-se que não tenham mais do que 200 ou 300 anos.
Espécie bastante arredia, são raramente encontrados e sua população é estimada, atualmente, em não mais do que uns 1.000 exemplares.
Exemplo de Micro-conto:

                                                 Tango porto-alegrense:
                                O Barão passava asfalto na careca da cidade.

Fonte de consulta: meu "célebro". (Outro exemplo de micro-conto: Meu célebro celebra a celebridade dos fatos!)

Dicionário de joãoantoniez:
Célebro: mente (às vezes só oculta).
Celebridade: rapidez, velocidade, transitoriedade, fugacidade.
Fugacidade: fugir da ou para a cidade

João Antônio Pereira
Petrópolis – RJ


"No Caso Amor, o Coração, sentencia:
- Decisão favorável ao réu, que deverá ser enviada ao Cérebro através do Sangue. Cumpra-se.
Não cabe recurso."

Elciana Goedert
Curitiba – Paraná



"Jardineiro: uma vaga
Documentos pede o patrão, ele mostra as mãos.
Contratado, vejo que é pós-graduado! "

Paulo Roberto Cunha
Petrópolis – RJ


Macroconto


Era ela. Era eu. Éramos Deus.

Lucas Vizani
Petrópolis – RJ


"Quis congelar o tempo daquele jeito. Guardar a fé daquele instante perfeito. Feliz, tão somente!"

Luciana Cunha
Petrópolis – RJ



"Nuno era de poucas palavras: microcontos e haikais."

Giancarlo Kind Schmid
Petrópolis – RJ.


"Me vesti de ilusão,peguei o bonde da saudade,fui ao encontro da felicidade..."

Veronica de Mello
Petrópolis – RJ.


"Qual seria a melhor forma de absorver a doçura?"

Roma Magela
São Paulo-SP


Desilusões

"Mesmo vivenciando a transitoriedade das coisas, continua a ser verbo transitivo."

Daniel Kleiz
Petrópolis – RJ.


"Neste azul maravilhoso iniciam curvas que seguem buscando muito mais vida compõem-se versos..."

Rodolfo Andrade
Petrópolis – RJ.


"Pintava como ninguém. O sete."

Giancarlo Kind Schmid
Petrópolis – RJ


Abdala - uma história
"Abdala era o craque da escola. Hoje abri a janela, vi um velho remexendo o lixo. Era Abdala."

Carlos Eugenio Vilarinho Fortes
Petrópolis – RJ


"Dos seus sonhos de menina, um deles, dividiu com seu amor."

Elciana Goedert
Curitiba – PR


O alpinista

"Convicto de sua capacidade, não viu que o grampo estava solto. Lá em baixo os desprovidos de conhecimentos, o receberam."

Gilson Faustino Maia
Petrópolis – RJ


"No passo confuso o passo controverso, o passo apresso, concerto o passo."

Rodolfo Andrade
Petrópolis – RJ


A vida

"A vida é como um quebra-cabeça: temos que encaixar as peças certas."

O amor e o vento


"O amor é como o vento, não precisamos vê-lo, para saber que ele existe."

A flor do amor

O amor tal qual a flor, nasceu em nosso coração, e só temos que saber regá-lo."

Teatro da vida

A vida é um teatro: basta que nós, seres mortais, representemos nosso papel em cena.

Alan Bastos Lima
Petrópolis - RJ



Referência: http://www.cantodoescritor.com.br/index.php?option=com_content&view=category&id=88&Itemid=221#ixzz2VknxIbdz
 

3 comentários:

Gilson Faustino Maia disse...

Para um bom entendedor, poucas palavras bastam. Eis a razão dos minicontos.

Johnny Boy disse...

Ficou muito legal! Parabéns pela iniciativa. Depois desta experiência, passei a escrever muito. Algum dia selecionarei os que prestarem e os publicarei.
Um esclarecimento: eu sou de Porto Alegre/RS, não de Petrópolis. Mas que bom que vocês me têm na conta de alguém bem próximo. Abraço a tod@s.

Luciana Cunha disse...

Corrigido, Johnny Boy ;)