domingo, 8 de julho de 2012

MENINAS E MENINOS INTERIORES

Hoje, ao pensar nos tempos em que eu lia Fernão Capelo Gaivota, Polyana, Pequeno Príncipe, e com os livros sonhava atingir lugares inimagináveis,  senti falta da menina que eu era, na infância e na adolescência, heroína dos meus sonhos e rainha do meu mundo.
Travei contato com um espaço de mim mesma que ainda existe, mas vive protegido dentro de uma armadura própria para enfrentar o mundo de hoje, nem sempre leve, nem sempre lindo, nem sempre colorido.
Pensando nisso, propuz esse desafio, onde cada poeta buscasse essa sua menina ou seu menino interior e o trouxesse pra gente, para apresentar à Confraria.

Foram tantos encontros, que dá pra formar uma brincadeira de pique. Tá contigo!!!!






(com 18 anos)

A menina que existe!

Para que lugar distante
Fugiu aquela menina
Que acreditava em fadas
E viajava nas asas 
Leves da Literatura?
Em que endereço tão longe
Agora se esconde a menina
Que era heroína e santa
No auge da sua bravura?

Para que planeta foi ela
Com sua alma inquieta
E seu poder de mudar a história?
Onde hoje ela se encontra
Com seus versos corajosos
Seus discursos inflamados...
Perdeu-se ou achou-se em sua trajetória?

.....
Essa menina cresceu
Vive em meu coração
Protegida do tufão
A que chamamos maturidade.
E dentro de mim ela existe
Envolta em cores e sons
Envolva em sonhos e tons
Ela vive em liberdade.

Enquanto a menina sonha
Eu sigo abrindo o caminho
Em nome da nossa verdade!

Catarina Maul
Petrópolis - RJ


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Chácara

...e aquela Menina vivia num mundo à parte do mundo em partes...
Criava e recriava em cima do seu recreio.Viver para ela era um absurdo qualquer entre uma realidade que ela não acreditava e a fantasia que era seu mundo real.
A chácara ... Seu parque de diversão onde insetos, árvores, frutas e bichos se transformavam na mais enlouquecida história de conto de fadas ...E ela era soberana que a tudo transformava e fazia com que entrasse em seu mundo de partes .
Cantava e encantava ..
Sem mensuras, sem limites o seu próprio mundo em partes lhe particionava...
Era cantora, atriz, rainha...nunca vassala.
Quando cantora o palco era enorme e a plateia a aplaudia de pé
Quando atriz, se fazia uma fazendeira que sorvia da terra sua seiva, sua vida...
Quando Rainha não se abalava com nada...inatingível.
E nesse seu mundo ela vivia repartindo o que colhia...
Na sua mais etérea imaginação...

Ana Lucia Souza Cruz
Rio de Janeiro - RJ


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A Passagem 

Lá ao horizonte ainda conseguia vê-lo. A bater asas e se despedir. As ondas choravam sua partida. O animal alado havia feito muito por mim aquela noite e seria eternamente grata a ele. Entretanto, naquele momento, precisava partir. Era noite. O ambiente, mesmo sendo um paraíso, era noite. Conheces a noite? O maior dos tremores. Hostil, até mesmo no mais lindo canto das matas. 
O animal, depois de me tirar do mar escuro, havia me trazido até a costa. Havia caído na água fria, como se cai num sono. Se não fosse o cavalo alado a me salvar, com suas quatro pernas e seu chifre, triste símbolo solitário em sua testa, aquele que os unicórneos têm na testa, não sei mais onde estaria. Trotando pelas nuvens, bailando num lindo balé com as estrelas, o alado me trouxe até a praia, aonde me colocou, calmamente, próximo a uma pedra. Molhada, algumas ondas do mar vieram me enxugar. Não tinha tempo para muitas despedidas. À minha sombra, na calada da noite, eles me perseguiam. 
O alado olhou uma última vez para mim e me fez entender: eu precisava fugir. Se esperasse a chegada daqueles que me queriam tirar dali, toda aquela atmosfera estaria perdida. As ondinhas, ainda bebês, se divertiam me enxugando. A mãe olhava-as fixamente, observando se não eram ainda muito pequenas para tarefa tão árdua. Acabando, as ondinhas logo voltaram ao encontro de sua mãe. O alado me observou uma última vez e partiu. Agora, a batalha estava toda em minhas mãos. Não havia mais ajuda. 
Manter um mundo daqueles não era para qualquer um. Solitária, na praia, desfrutava de um dos últimos momentos em que estaria por completa naquele mundo. Muitos já passaram pela batalha que enfrentaria. Entretanto, esse mundo mágico não tinha demasiada força para vencê-la. Quando vencia, era submetido a uma tática deles, os Tegulapianos, que, ao saberem que haviam perdido a batalha, cercavam todas aquelas terras, assim como seu criador. O criador? Sim, aquela terra não era de uma única pessoa, era de todos aqueles que a queriam. Mas logo chegava o dia de suas batalhas, assim como o meu havia chegado. 
No fundo, sabia que não teria escolha. Não havia saída. Não podia optar por ficar aqui, vencer a batalha. Essa escolha era quase impossível. Olhei em volta. Reparei em uma pequena criaturazinha de oito perninhas, quase imperceptíveis, de coloração arroxeada, que se aproximava de mim. Ao chegar bem perto, perguntou:
- Vamos morrer?
Respondi com sinceridade que não. Esse mundo só iria adormecer. Congelar. Mas seria lembrado para todo o sempre na memória do criador.
- Tudo que aqui existe ficará congelado, como estátuas, expliquei. Tentei usar palavras com um toque de eufemismo para não assustá-la. Mesmo sendo minha a batalha, todo o mundo mágico estaria comprometido. – Mas toda vez que me aconchegar nas memórias, O calorzinho das boas lembranças derreterá esse gelo e tudo ganhará vida novamente, nem que por alguns instantes.
- Mas eu não quero ser para sempre uma estátua.
- Acalme-se, querida. Você não será. Esse mundo é a melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa, a fase mais marcante do criador. Jamais será esquecida. Só irá tirar uma soneca longa. Os Tegulpianos me obrigarão a viver em uma cidade escura, a trabalhar, a conviver com pessoas que, se alguma vez tiveram contato com esse mundo mágico, já se esqueceram. Prometo a você que jamais esquecerei. 
As melhores pessoas do Universo, ou, ao menos, as mais felizes, são aquelas que nunca se esqueceram verdadeiramente de Terviana, esse mundo mágico incrível. Terviana é o berçário da Terra. Aqui todos nascem. Todos criam esse mundo. Mas todos passam por essa fase, por essa batalha. Todos um dia vão para Tegulapia. Poucos são os que mantêm Terviana no coração. Os que aqui permanecem acabam virando loucos. Somente enfrentando essa batalha realmente saberei quem sou eu, farei o que realmente faço: esse mundo. 
- Volto logo, prometo. – avisei à criaturinha. – A viagem à Tegulapia é longa, mas eu retornarei. Sei que muitos já prometeram isso. Para provar que volto, te entrego isto.
- O que é?
- É um caderno. Toda vez que quiser me chamar sonhe com esse caderno imaginário. Escreva nele, com o seu pensamento, o que quiser, o que desejar. Onde quer que eu esteja, te ouvirei. Rapidamente, voltarei. Agora, preciso ir.
Despedi-me e atravessei a enorme ponte que separa Terviana de Tegulapia. Ao longe, vi Terviana me olhar, chorar, empalidecer, até embranquecer. Por fim, congelar. Logo, seriam somente lembranças. Mas mesmo as lembranças viram realidade novamente. Afinal, o que é mesmo realidade? 
Quem algum dia realmente deixou de ser tudo aquilo? Deixou de ser aquela criaturazinha de oito pernas arroxeadas? Aquela criaturinha de escrever com seu pensamento um caderno imaginário de desejos. Quem já deixou de ser criança?

Beatriz Ribeiro
Rio de Janeiro - RJ



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Retratos de minha infância

Recordo-me bem da minha infância
Quase ontem, devo admitir a verdade
Mas confesso que às vezes me dá uma ânsia 
De voltar para meu estado de ingenuidade

Um menino feliz, sempre que perguntado
Um menino que ainda não conhecera a poesia
Um menino traquinas, sapeco, amedrontado
Inquieto, engenhoso, inteligente, cheio de alegria

Brincava em seu terraço, aprontava com sua avó
Trancava as pessoas no quarto, escondia as chaves
Preferia bolo de chocolate, mas comia pão de ló
Adorava futebol, fazia das pilastras as suas traves

Assistia desenho, brincava com seu lego 
Fazia-se de policial, prendia com sua algema
Andava com uma carteira de juiz, não nego
Ainda não era chamado de “o garoto problema”

Diziam que se tornaria um mauricinho inconsequente
E que não respeitaria nem mesmo aos seus pais
Pois não temia a ninguém, era corajoso e valente
Desafiava a quem dissesse que não dava mais

Astuto, companheiro, carinhoso e metido a adulto
Chato para comer, beijoqueiro, dizia que iria fugir
Adorava estar por perto quando havia tumulto
Coçava a orelha de sua mãe para poder dormir

Amoroso, virtuoso, honesto, simples e delicado
Queria pegar uma loira e casar com uma morena
Dizia que só aos 15 anos se tornaria um namorado
Teimoso ao extremo, sabia fazer-se digno de pena

Temia os personagens, não podia ver o Papai Noel
Mas a data que mais gostava era o Natal
Já vivia uma antítese profunda e cruel
Gostava de tudo aquilo que lhe fazia mal 

Dizia que ao crescer daria para sua mãe dois carros
Cuidava de sua pequena irmã, seu xodó maior
Jogava do terraço os seus presentes mais caros
Desde cedo sabia o hino do Vasco de cor

Precoce em tudo, conversava pelo telefone aos dois anos
Porque com um ano já sabia as letras completas
Trocava os CDs do aparelho, traquinava planos
Já dizia que ter família era uma de suas metas 

Amava brincar com seus primos distantes
E fazer compras em sua pequena mercearia
Em versos alegres, sinceros e até elegantes
Ele já vivia como um poeta, sua vida era poesia

Já era saudosista aos seus cinco anos de idade
Empanava-se na areia da praia no verão
Um menino que fora feliz de verdade
Estará para sempre dentro do meu coração.

Filipe Medon
Petrópolis - RJ


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E O MENINO CONTINUA

Amante da natureza,
caminhei pelo sertão.
Fui rico em minha pobreza,
pescava no ribeirão.

Fui namorado da lua...
Pode o céu testemunhar.
Ela, uma linda perua,
sempre, sempre a me enganar.

Dividia seus encantos
com todos os seresteiros.
Eu, sonhando pelos cantos,
não vencia os violeiros.

Mais tarde mudei de meta,
pois outra musa encontrei.
Então eu virei poeta,
só porque me apaixonei.

Guardei no peito a raiz,
da musa o sublime olhar,
que ainda me faz feliz,
que ainda me faz sonhar.

Gilson Faustino Maia
Petrópolis - RJ

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vivo lutando
para ser adulta
mas algo desperta
essa menina
que me habita

a voz infantil
cheia de expectativa
ora rindo sem parar
ou chorando em protesto
esparramada em emoções

evito prestar atenção
nada tem a ver
com minha organização

fico insegura
com a pequena
cada vez que acorda
com vontade de bagunçar
minha vida 
assumir um papel 
no meu cotidiano

essa criança sacode
brinca de esconde-esconde
abre todas portas e janelas
espera por algo diferente
bate o pé descabelada
nada satisfaz
nada acalma

essa sardenta com asas
re-inventa artes
tem espirito livre
quem pode aprisionar?


Benette Bacellar
Porto Alegre - RS


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a menina em mim

quadrilha
can can
balé clássico

danço a vida
na menina

enquanto
ela se lambuza

lobo-mau
a bela adormecida

a menina
atua em mim

trago no chão
seus passos

na água
a louvação
hosana nas alturas
tão longe
de sermos santas

Rosana Banharoli
Santo André - SP

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O menino Cresceu...

Cadê aquele garotinho que subia
as escadas, cheio de vida e vigor?
Só viu o vento passar e lutou.

Perdeu gente importante,
vive no mar da saudade.
Voou a lugares altos,
mas aterrissou em terras 
desconhecidas.

Tempos diferentes...
Olhares distantes...
Retrocedeu.

Sonhos flutuando,
mãos dispersas,
pensamentos distantes.

Criança, você cresceu!
De repente viu tudo diferente...
Onde foi que tudo se perdeu?

Passos...
Rastros do passado;
ouço as risadas 
mas quando paro,
só ouço o silencio
de um novo tempo.

Fechou-se...
Caiu!
Algemas prende-me,
impedindo-me de voar.

Não posso mais olhar,
nem ir adiante...

Tempo de parar.
Mergulhar;
E ver quem está
dentro de mim...

Talvez encontrar no adulto,
um dia, aquela criança
que sonhava em fazer,
Construir...
Simplesmente Ser...!

JG Poeta da Alma
São Paulo - SP

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Céu de infância
o menino olha as nuvens
o tempo para.

Ricardo Mainieri
Porto Alegre - RS


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Quiança...

Quanta saudade quiança,
dessa tua terna esperança,
desse sorriso infantil...
Pra sempre nas minhas lembranças,
teu canto e a tua bonança,
a tua coragem viril...

Que saudade da gargalhada tua,
da forma doce da lua...
Saudade de Bossa Nova...
Que saudades das nossas ruas,
de Isa, de Sofia, das plumas...
Das tardes que eram só nossas...

Saudade que me rasga o direito,
que me enche o coração de um jeito...
Que me abre um doce sorriso.
Saudades que não ajeito,
carrego comigo no peito
teu rosto sempre me sorrindo...

Luana Lagreca
Petrópolis - RJ


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A MENINA QUE ME ACENA

Tenho ainda dentro de mim
a menina que segura um jasmim
No rosto traz um sorriso tímido
mas com um encanto que é nítido

A menina apenas busca a felicidade
como tantas "meninas" da sua idade
Às vezes pensa que tudo é ilusório,
por um tempo, refugia-se no silêncio
Um nó lhe aperta a garganta
Não é mais menina, nem santa...
Uma mulher já entrou em cena
A menina? Agora só me acena.
Elciana Goedert
Curitiba - PR


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Dorme em mim minha menina
Doce e meiga, que saudade
Mas quando acorda me ensina
a ser mulher de verdade

Jussara C Godinho
Caxias do Sul - RS


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Doces Lembranças



Na Rua João Caetano
Existia uma vila encantada...
Onde o tempo pra mim parava
Não pensava mais em nada.

Mãeeee! Que dia é hoje?
É sexta-feira Paulinho!
Então amanhã vou pra tia Leda?
Só se ficar bonzinho!

No sofá quietinho pensava:
Será que vai fazer sol?
Quero amanhã jogar bola
Cortar pipas com cerol.

Brincar de pique - esconde,
Andar de bicicleta com Marcelo, Marco e Tôzinho
Montar o autorama, jogar ludo na varanda,
E também brincar de carrinho.

À noite: Forte Apache no chão
Comida farta,
Sobremesa e colchão.
Silêncio quebrado...

Boa noite tia Leda! – Boa noite Paulinho!
Boa noite tio Heitor! – Boa noite Paulinho!
Gargalhadas... Guerra de travesseiros.
Na Rua João Caetano
Existia uma vila encantada!

Paulo Roberto Cunha
Petrópolis - RJ


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Menino interior

Existiu, outrora,
Um menino brincalhão,
Que jogava a vida fora
Como bolas de gude no chão.

Um menino franzino,
De aspecto raro,
Com os olhos caindo
Em desespero imediato.

Houve um pequeno acidente, então
E o pobre menino não se levantava do chão
Era um nobre guerreiro
Porém, uma batida o esmagara por inteiro.

E o golpe, por fim, teve seu nome
Subitamente, o menino perdeu a fome...
Ao descobrir que tudo o que vira
Não passara de meras mentiras.

"Aos olhos de um adulto qualquer...".

Rafael Nicolay
Petrópolis - RJ


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Menino 

Era o xodó da família 
uau... bonito e magistral 
só causava desconfiança
sua beleza sem igual

viveu assim criança esperta
queria no mais ser gente
até brincava na rua
alegre, feliz, contente

jogava bola de gude
muito falava poesia
mais nada sabia a miude

logo o menino cresceu
correu contra seu destino
este menino sou eu.

Rodolfo Andrade
Petrópolis - RJ


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Eu, um garoto atento
Que se guiava pelo vento
E a bola leve chutava.
Chutava ela pra um lado
Mas ela ia pro lado errado
E um palavrão sempre escapava.

Nunca fui do tipo levado,
Mas era bom tomar cuidado
Pois alguma eu sempre aprontava.
Mas sempre com muito respeito
Pois desde novo sou bom sujeito
Do tipo que a vovó se orgulhava.

Desses tempos antigos
Ainda tenho bons amigos
Dos quais sinto saudade.
Quase nunca nos vemos
Mas muito bem nos queremos
Esse é o valor da amizade.

Trago boas lembranças comigo.
Delas em meu peito faço abrigo
Pra proteger esse menino
Que me fez um homem fadado
A ser pela vida um apaixonado
A escrever seu próprio destino.

Alex Avena
Petrópolis - RJ


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Menina sou até hoje,
Apenas mais experiente
Nunca me esqueci dos prazeres
Mais inocentes.
Abria a janela de manhã
Olhava o céu, Sol? Chuva? Frio?
Quais as possibilidades?
Mãe da lata, dono da rua, pega-pega...
Gordinha, não muito agil
Ficava sempre por último
As vezes ficava triste, mas logo passava
Pois outra brincadeira logo se iniciava
Hoje nunca me chamam pra brincar
pois adulta me tornei
Mas se me chamarem pra jogar
Cuidado! Criança em instantes me tornarei.

Tania Montoya
Petrópolis - RJ


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CARROSSEL

Toda criança
Gira
Rodopia
Fantasia...
O coraçãozinho
Cavalga
Galopa
Delira

E carrossel da vida não para seu giro
Ora mostra uma face
Ora, outra...

No Carrossel
Tudo gira
Tudo é festa
É euforia

Fora dele
O tempo espia
O tempo espera...
Outra volta...
Em um giro é criança
No outro, vida de adulto!

Outro olhar...
Outro verso
Coraçãozinho de Criança...
Mulher 
Em re-verso...

Carmem Teresa Elias
Rio de Janeiro - RJ


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O palhaço leva um tapa
A platéia ri
De um menino o choro escapa

Jorge Ricardo Dias
Rio de Janeiro - RJ


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Quando pequeno, em um primeiro ato de aprendizado, 
meus pais me presentearam com a semente, 
embrulhada em uma caixinha. 

Não eram brinquedos caros, nem mesmo uma bicicleta nova 
aquela que todos os garotos tinham. 

Naquele natal, sorrindo abri o presente de meus pais, 
com os olhos brilhando, desembrulhei o presente, 
era apenas uma semente, suja e sem graça. 

Fui ao quintal, meio arrastado, ainda faltava 
abrir alguns presentes, aqueles dos tios. 

Lá fora, em um pequeno buraco, joguei a semente, 
e correndo, voltei para dentro. 

Alguns dias se passaram, já ate havia esquecido, 
pois um boneco de um tio distante, 
me pareceu um brinquedo mais atrativo. 

Brincando no quintal, passeando com o boneco 
em meu carrinho já sem rodas, 
reparei algo estranho saindo da terra. 

Meus olhos brilharam, e curiosamente descobri a vida, 
cuidei dela daquele dia em diante. 

Os anos passaram, e nunca intendi a razão do presente, 
quando perguntava aos meus pais, eles apenas sorriam. 

Agora intendo, todo trabalho, e tempo cuidando daquela vida, 
aprendendo a amar, ser cuidadoso, esperar frutos futuros. 

Com sua chegada, lembrei-me daquela semente, e do seu sopro de esperança, 
tenho certezas e experiencias, para cuidar do seu amor que cresce em meu coração, 
agora sem medos, posso-lhe dar certezas que nosso futuro terá lindos frutos.....

 Arthur Hendrix
Petrópolis - RJ


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Minha infância

Menina, moleca, sapeca, danada, virada na gota
Essa galega!
Cadê Nilane?
Não sei, alguém responde.
Deve tá no quintal em alguma árvore ou brincando com os meninos.
Quando tiver com fome volta.

Eu danada, aproveitava
Diante de tanta terra, de tanto sol, de tanto vento.
Ficava solta no quintal.
Descobria formigas, lagartixas, mosquitinhos.
Saboreava novos sabores: caju, manga, pitomba, graviola, jaca, pitanga...
Tirava a fruta do pé, passava na blusa ou no short, 
como se estivesse lavando e “nhec” botava pra dentro.
Nesse tempo nem existia virose.

Acordava era chinelo no pé e um short 
e lá ia eu desbravar o quintal pra passar o dia.
Sem burocracia,
Sem medo,
Só com alegria!
Que delícia!

Nilane Soares Costa
Petrópolis -Rj

4 comentários:

silvana gonçalves luiz disse...

Desperta saudades!!!!!

Rodolfo Andrade disse...

Ser livre é ter conciência de quem se foi muito bom este post.

Carmem Teresa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carmem Teresa disse...

Reviver idades, porque somos a sequência, consequência, do somatório de todas elas. Uma nova criança a cada ano que amadurece.