quinta-feira, 12 de julho de 2012

MÃOS

Foto: Ana Beise (Porto Alegre - RS)

Inspirado no poema publicado pela nossa querida Malmal Suzi Malagoli, um novo DESAFIO: MÃOS.
Parceira de tantos momentos, descobertas, construções, instrumento constante e presente, essencial até, temos muito a dizer sobre elas... Não???


Dúvidas

Não ter à mão suas mãos
espalmadas e hirtas
frias e quase grosseiras,
enganosas, inábeis,
grandes demais.

Desdenhosas mãos
perdidas em gestos largos
quase esvoaçantes como
desastrosos voos de albatrozes
em mares gélidos, nebulosos, cinzentos.

Não ter tuas mãos
nessas enegrecidas saudades,
faz a mim mesma calentar
à chama de velas
que abertas me levam a seu mar.

(eram apesar de tudo,
quentes, suas mãos)


Malmal Suzi Malagoli
São Paulo - SP


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Mãos...

Em demasia já sofreram
calejadas e ásperas
carregam os sinais do tempo!

Mãos...
afagam o Ser;
contraditórias se rebelam...
momentos de ira !

Mãos...
Poliglota...
Não há quem não as entenda!

Mãos...
se apertam com força e verdade...
Paz !
Mãos e arma..
paradoxo cruel !

Mãos...
alimentam e se enfeitam...
portadora do símbolo da união!

Mãos...
neste momento
redigem sua definição !
Mãos...


Silvana Gonçalves Luiz
São Paulo – SP

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ENTRE TUAS MÃOS

Ainda que fale por palavras de vento e mar,
Da maneira que só a solidão consiga ouvir...
Ainda que o sonho seja perfeito!
E que na quietude, entre tuas mãos, ele possa dormir...

Ainda que em céus e defeitos,
Vague o equilíbrio pensativo pelo romper de mais um dia,
Quando o sentimento só se consola com o espanto
De tê-la em meu peito, perto a tantos feitos...

Mas é assim que a amo!
Envolvido em brumas de saudade,
Como a suavidade da brisa que vem do mar.

Despertando no silencio de mãos cansadas...
A profundeza projetada do deserto e de um morro,
Que nada sabem das lágrimas que choro.

Carmem Teresa Elias e Roma Magela


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Não abro mão da minha mão

Mãos angelicais 
que acariciam 
amáveis 
que contagiam. 

Mão que acalenta 
que amedronta 
mas ameniza 
e finaliza. 

Mão vivida 
mão calejada 
de tanto labor 
maltratada.

Mão que espera 
mão que dá 
mão que aceita 
tudo que há.

Mão pouco lembrada 
é parte esquecida 
na falta se vê 
seu eterno valor. 


Rodolfo Andrade
Petrópolis – RJ


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Mãos doidas

Das mãos a massagem 
que fazem e refazem
Coloridas e incolores
Que ainda se desfazem

Mãos sensíveis
que pedem carícias
E que cariciam 
A doce menina

Não apenas as finas, macias 
Mas também as ásperas, cheias de calo
do tempo cansativo, depois do forte trabalho

Mãos que tentam se unir 
E separam-se por tentar ocultar a ''mentirinha''
Daquelas manchas branquinhas que surgem 
E se escondem por trás do esmalte escuro
que se descasca constantemente por lavar a louça suja

Junto ao abraço
Mãos tão frias se aquecem
Geladas desprotegidas 
A procura do nosso traço

Não quero as mãos desenhadas com polegar opositor 
A fim de se diferenciar dos outros animais 
e que tocam inocentemente a manifestação da superfície dos objetos

Quero as mãos interiores que podem sentir sem tocar
Como a invisibilidade do vento
tão persistente, presente e irrecusável ao leve ar
Mãos da alma .
Nós

Bianca Leticia
Rio de Janeiro - RJ


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Marcas que Cravam

Nossos passos não são vazios
Por onde andamos deixamos nossas pegadas
E no andar seja para 
Frente ou para trás
Para o lado ou para o outro
Cravamos nossa história
Eu faço
Desafio
Choro
Rio
Volto
E descubro a direção da imensidão
Dos meus passos sem fim
Passos que tocam
Abençoam
Transformam-se
Acolhem
Passos
Presente
Passado
Passos do futuro
Passos que descobrem
Que entram e que saem
Passos que deixam pegadas
Pegadas de amor 
Que iluminam caminhos
Assim como as mãos que transformam
Da tinta e de matérias inacabáveis 
As mais belas artes
Esculpidas, escritas, moldadas
Pelas cores da vida
Cores preenchidas pelo encontro
Conosco e com o mundo
Das misturas de raças
Costumes
Culturas
Crenças
Fazendo com que cada momento
Cravamos aquilo que ninguém viu
Com a certeza de que aquele que pisou
Por onde eu andei
Levou um pedaço de mim
Mãos que deixam marcas

(esse poema se encontra no livro Olhares Cruzados, poesia da alma)

JG Poeta da Alma
São Paulo - SP


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Mãos 

Abrir portas,
fechar janelas.

Jogar pedra,
colher flores .

Curar, surrar,
amparar ou empurrar.

A lista é interminável, 
a vida passa pelas mãos.

Lucia Regina Ferrari Silva
São Leopoldo – RS

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Mão que toca estrelas e luar
Toca canções e o chapéu 
Que dizem distante para alcançar.

No trabalho é mão que constrói
Com os amigos mão que afaga
O rosto e a ferida que dói.

Na poesia é mão certeira e precisa
Na mulher mão boba a percorrer
Principalmente aquela que está indecisa.

Dou graças a Deus pela mão
Com ela toco a vida e me divirto
Faço meus versos e ganho meu pão.

Alex Avena
Petrópolis – RJ


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À mão livre

Mão
Pra que serve?
Mão que serve
que alimenta
dá contorno
cumprimenta
Mão que acena
Mão que apenas
dá um toque
leve como pena
de beija-flor
beijando a flor pequena
Mas que pena!
Quero mais

Mão que esculpe
que modela
Mão que investe
Mão que veste
em si , a luva
Que desnuda
Que desvenda 
toda a alma
Mão que acalma
que estimula
com o dorso
com a palma
Mão que anula
todo medo
Mão tem dedo
Digitais
Tem afeto
Mão traz paz

Mão que ajuda
sendo dura
sendo mole
Mão que escolhe
Mão que cura
Que garante
Passa adiante
o anel
da brincadeira
Mão inteira

Mão que conta
Que aponta
o caminho
Faz carinho 
Mão que livra
Mão que lavra
Mão que indica
que a chegada
é um ponto
de partida
Mão que, muda
vai narrando
os mistérios 
dessa vida

Jorge Ricardo Dias 
Rio de Janeiro - RJ

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mãos

mãos guardam
estradas de destinos
prisão e liberdade
: bênçãos
prefiro elas
preciso delas

Rosana Banharoli
São Paulo - SP

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Minhas mãos

Dedos longos para arar a terra
e recolher do solo o alimento.
Gesto nobre que põe fim à guerra, 
carinho que dá voz ao instrumento.

Afago que ajuda o semelhante, 
tornando a vida bem mais tolerável.
Quando juntas, conduzem o errante
para um caminho nobre e agradável.

Nas mãos se encontra a força do Universo, 
sábia ferramenta feita de amor.
A mão que faz poema, escreve verso,
grita, pela fé, no seu clamor.

Que Deus dirija para sempre as minhas,
o que fizer com elas, hei de prestar contas!
Não quero vê-las vagas, fechadas ou sozinhas.
Para ajudar ao próximo quero-as sempre prontas.

Que eu possa expressar fraternidade
a cada vez que atendo aos meus irmãos.
Que eu seja um instrumento da bondade,
levando a esperança em minhas mãos!

Catarina Maul
Petrópolis - RJ


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Pés descalços, mãos marcadas
Moradores das calçadas
Esquecidos com a própria noite

Rosto triste, olhar tão raro
Na esperança de um amparo
O silêncio mostra a própria dor

Allan Filho
Petrópolis - RJ

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De Millus

teus seios
anseiam
serem libertados
por mãos maduras
de afeto

o resto
você já sabe...

Ricardo Mainieri
Porto Alegre - RS


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Mãos 
que atuam 
em todos os atos:
acariciam
e curam feridas
da solidão,
labutam
esculpem
embelezam
lapidam...

Mãos
que abençoam...

Bendita sejas
estrela de cinco pontas
que brilha
no céu da vida!

Jussára C Godinho
Caxias do Sul - RS


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Minhas mãos!

Minhas mãos são livres.
São livres de mim,
De ti,
De todos.
Têm vontades próprias que até eu desconheço.
Alcançam coisas que nem imagino.
E se escondem 
Ou tremem, 
Quando estão com medo.
Porém, não suam, pois sabem onde se meter.

Nilane Soares Costa
Petrópolis - RJ


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"Mãos" 

mãos tranportam o poder
são elas que pintam - e bordam
em busca da perfeição
escrevem o amor - e o adeus
na linguagem do coração

dirigem-nos pela vida
abrem e fecham portas
limpam a alma ferida
desatam nós – apertam laços
estendem-nos ao abraço

são elas que jogam âncoras
mas que deixam ir 
quando não há outro jeito 
içam velas para partir
e acenam as despedidas

mãos que se enrugam
entortam-se – enfraquecem
com os carinhos do tempo
mas teimosas permanecem
cumprindo nosso destino.

Marizélia Finger 
Porto Alegre  - RS


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Vem mão saborosa
trazer o gosto prazer
sinto-te gostosa.

Rodolfo Andrade
Petrópolis - RJ


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Será?

Ouço vozes ao longe
Parece música, não sei
Os olhos pesam
E logo sinto uma mão aquecida
Sobre a minha testa
Tento abrir os olhos
Mas o calor da mão
Ah calor da mão me impede
E pede pra não pensar
só sentir 
Mas o pensamento insiste
De onde vem essa mão?
Mão que emana uma energia tão forte
Que inerte e anestesiado
Meu corpo fica?
Não sei o que houve
Lembro apenas que saí pra caminhar 
E agora estou aqui
Meus olhos já não pesam
E com dificuldade, avisto um homem de costas
Alimentando a lareira
Sinto também têmperos e aromas
Cheiro de aconchego
E essa música que não me é estranha
Me faz lembrar você
Meu amor de outrora
Será?

Jane Marques
Petrópolis - RJ


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Repousa em suas mãos

Ao recordar
Nossos momentos...
Acabo criando outros.
E, neles existem saudades!
... 
Quando meu pensamento
Parte nesta viagem,
Extraordinariamente, reveste-se da inspiração,
E outras vontades.

O que penso inspira paz,
Tanto que, tranco o espírito,
Em coisas belas expressas sem dor:
Paisagens coloridas pelo amor.

Minha inspiração fica escondida
Na parte mais singela de teus olhos,
Faróis radiantes lá no fundo da alma.
Mesmo com essa intensa saudade, eu, crio essa calma...

Regresso do meu sonho inocente
E com meus lábios pagãos.
Na distancia e no silêncio o meu amor passeia,
Pois repousa tranqüilo em tuas mãos.

De Magela/Carmem Teresa Elias


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As mãos 
Que te afagam
São as mesmas
Que te afogam

Na ilusão 
Da paixão
No calor 
Da emoção

No transitar
Da imaginação
No olhar 
Na escuridão

Na distância
Do contato
Na falta
Do olfato

Mãos 
Que te acolhem
Mãos 
Que te destroem

Em Noites 
Que consolam
Momentos
Que assolam.


Condessa Cavalcanti
Porto Alegre - RJ


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Observava aquelas mãos 
tão sofridas
acabadas 
massacradas
sem vida
Observava aquelas mãos
tão ávidas
duras
calejadas
fragmentadas
Elas levantaram templos
arranha-céus
estradas
escolas
Observava aquelas mãos 
tão sofridas 
machucadas 
cansadas 
de secarem lágrimas...

Fernanda Forster
Petrópolis - RJ

Um comentário:

silvana gonçalves luiz disse...

Parabéns a todos os poetas!!!!!