domingo, 6 de maio de 2012

LEITURAS PESSOAIS - FOTOS DE CLAUDIO PARTES


Pedi ao Claudio Partes, meu amigo e um dos maiores artistas da cidade de Petrópolis, para enviar algumas de suas magnificas fotos para nossa Confraria da Poesia Informal, a fim de que, inspirados em suas imagens, escrevêssemos poemas para compor o varal de nosso próximo sarau.
Com um sorriso no rosto e uma alma em festa, traços dessa personalidade tão querida, ele enviou 15 fotos, adotando um critério que ele mesmo estabeleceu: Não nomear as fotos para que isso não influenciasse nossas escritas.

Claudio é designer gráfico, artista plástico, poeta e fotógrafo, presidindo, atualmente, a SOPEF - Sociedade Petropolitana de Fotografia...

Pra gente, somente nosso Claudio Partes! Inteiro e intenso!

                                                                                                          Catarina Maul


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Belos Jardins

Andei tanto por aí
Tentei te encontrar, e não te vi
Em muitos bancos sentei
Em cantos de belos jardins
Na esperança de ver você
Um dia passar por mim
Andei...andei...
Andei tanto por aí
Na esperança de ver você 
Um dia passar por mim
Sentada naquela banco
Num canto de um belo jardim
Vivo a lembrança
De um amor que vivi
Andei... andei...
Andei tanto por aí

Tania Montoya


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Cartas e poesias espalhadas 
Voaram do coração sonhador.
Nas calçadas abandonadas
Lindas declarações de amor

As folhas que abrigam a paixão
Seguem agitadas pelo vento
Aguardando que as leia a moça
Por quem tenho tanto sentimento

As palavras começaram a desbotar
Por isso, meu futuro grande amor
Largue tudo, e, por favor
Se apresse para logo chegar

Te espero em cada verso
Com todo meu coração
Para juntos recolhermos
Os sonhos espalhados no chão

Alex Avena


+


Divagações

Anos,
Histórias,
Fragmentos,
Memórias.

Vou passando pela vida
Anotando nos rascunhos
Rabiscando as entrelinhas.
Às vezes perco a linha
Noutras, amarro os passos.

Vou cruzando as calçadas
Colhendo luas e estrada
E no final, nada...
Cansaço!

E então liberto o caderno
Desfolho e jogo a esmo.

Cada página perdida
Cada afeto quebrado
Cada lágrima sentida
Cada pulso perfurado
Nova página da vida 
É a vida...
No capítulo em branco
A ser iniciado.

Catarina Maul


+


O vento secou minhas lágrimas,
Também levou todas as páginas,
Do nosso "Best Seller" de amor...

O tempo apagou os sentimentos,
De tristeza, dor e ressentimento,
E a chuva esfriou o nosso calor...

Essa paixão foi como um vulcão,
Ardente e quente em "erupção",
Devastou o que tinha pela frente...

Hoje me dói ver a sua ingratidão,
Os meus versos jogados ao chão,
Mas a vida segue constantemente...

Felipe Quirino




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Anjo Azul

Descortinem a neblina da serra
que eu quero sentir este olhar azul,
vestido de luz transparente,
expresso num raio e um repente...
Todo lindo, todo sonho, todo “blue”.

Abaixem o volume do mundo
que eu quero ouvir este riso azul
esculpido de afago e carinho,
sem rota, sem rumo, em desalinho...
Discreto, meigo, branco, cool.

Tragam-me um tapete mágico
que eu quero alcançar este príncipe azul,
feito de doces dizeres,
atenção, aparição, em todas as vezes
me deixa nos lábios esse sorriso nu.

Destino sem norte, de sorte, sem sul...
Traga pra mim num pacote esse anjo azul!

Catarina Maul


+


Horizonte in blues

E amanhece...

Uma brisa calma embriagando os meus sentidos azula meu horizonte
Limpando arestas de um coração que se viciou em ser quadrado.
Manhã outonal em minh’alma...Entorpecendo 
Me convidando a penetrar em sua tristeza azul.

Onde o brilho? ...Onde o vigor?
Desencanto com o Sol?

Infinito azul esse que me invade
E nele vejo a vontade de reviver
Mergulhando que ele está no desconhecido
Buscando num horizonte o elo partido.

Num repasto, num regalo , num aguardo...
A contemplar um Horizonte plenamente in blues.

Ana Lucia Souza Cruz


+



Azul

Degustei em taças de lucidez
O néctar desse azul tão sóbrio.
Único, tão dele...presente.

Salivando lágrimas de alegria
Bebi, com meus olhos cada gota
dessa imensidão, e,

Desfiz-me dessa mente
Comum, preocupada e ausente
Querendo ser tão meu, nesse azul...

Cheguei a tocar-lhe com a alma.
Por alguns instantes...Fui céu!

Alex Avena



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E o Jambo
Amou tanto a terra
Nutriu-se tanto 
Floresceu em cor ...
Em reticências 
Desprendeu-se em flores

Para ele, a queda é alegria
Fios
Faísca Serena
Tapete
Reverência maravilhada ao solo que o nutriu
Beleza, júbilo e gratidão...

O jambo amou tanto
Que como se fosse poesia, entregou a vida.

Carmem Teresa Elias


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Observo...

Entre sombras,
Fogo, luz, 
Cores e sabores

Intenções...

Nessa tua sobriedade,
Disfarçada e insolente
Que me nega...

...e tanto me deseja

Alex Avena



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Pipoca de foca...

Cansei dessa gente que só fofoca...
Que fica olhando a vida que nem foca,
sentada, batendo palminha, com uma bola no nariz!!!
Nariz de palhaço que nem percebe o compasso, e ainda se acha feliz...
Boba sereia em um chafariz! Ah, mas eu tô por um triz!...
Cansei dessa gente boboca! Que come hambúrguer feito de minhoca...
Melhor mesmo é não ser atriz e ficar na praça comendo pipoca!

Luana Lagreca


+


MINHA PIPOCA

Sou como criança 
Poucas coisas eu divido
Pode pegar minha boneca...
Minha bola...
Mas minha pipoca???
Ah! Essa eu duvido!

Tania Montoya



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Da José Bonifácio
Te observava
Faceiro menino 
Que às 18:00 aguardava
O badalar do teu sino.

Dias sim, outros não.
Os "sim"
eram os de sol
Os "não"
de serração...

Que frio!

Alex Avena


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Anunciou blem blem blem 
vem do vento verdejo
bem do bem a bem dizer
faca fincada no caos
esbranquiçadooooo

os medos anjelham 
cada contorno da musa
empalhada de frio

quase camaronescos
e de vento enfim aos eixos
arvore-disse ar-mado e a-mar
nos olhos fundos da serra da estrela....

tormento em cá-de dentro em dentrais ainda mais
que sem nau de morte em baixada breve ainda mais
ou missa......

missa.....
missão impudica,dura e ininterrupita
jugular américa...
jugular américa de dentes duramente europeus
abobadada esperança....
desmiolo colossal....
catedral.........


Pedro Maia e Cunha



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Horizonte de mim

Por vezes
Me pego
Assim:

Distante,
Intocável,
(Alma em desapego...)

Por vezes
Me vêm
Uns brilhantes:

A fitar
Meus cinzas
olhos...

E ainda assim,
I n t e g r o - m e
Sou todo
H o r i z o n t e .

Paulo Roberto Cunha


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Pés

Multicores, diferentes 
sabores,
afagos, 
amores. 

Estiletes sem fim 
em glória 
na busca 
jasmim. 

Pasmos caminham 
sem rumo 
ofuscam 
realidade. 

Passeiam no mundo, 
profundo 
querer 
da vida vivida. 

Sentido do dia, 
da vida que voa 
desperta sem rumo 
e chega a ti. 

Rodolfo Andrade


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Vendaval...

Passo notório, sem notar.
Sonora sombra, e dissonante...
Sino compassado, inconstante.
Incerteza negra, luz a badaladar...

Veloz saga, cega...
Vida, sonho perfeito;
decai e ressurge, refeito...
semântico ressoar...

Esperança é fatal, é vendaval!
Perdida linha, achada trilha...
Suada, re – soada, vida... Poesia!
Vento sem rumo, catedral.

Luana Lagreca


+


Vida sobre trilhos
cruza a cidade
num desespero 
num desgosto
vida indo pro esgoto.
Contido nos vagões
pulsa o sangue
que impulsiona o corpo
ao abismo criado
para dar cabo a felicidade. 
Tempo segue
sobre os trilhos
vida escoa
em nome de seus filhos.

Michelle Hernandes


+


queria vê-la
não consegui
meus olhos se esforçaram
se esforçaram mesmo!
mas não foi o bastante
tentei lembrar
mas foi tão rápido, rápido
demais para guardar
estava ali, um piscar...
e não estava mais!
tudo tão veloz
que não conseguimos acompanhar!
olhei pra trás, me despedi
adeus minha existência!

Gabriel Kopke




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cidade molhada 
encharcada
o dia chora frio
emoção amanhecida em chuva
melancólico 
deprimido 
desditoso 
desgostoso 
desalegre 
d
i
a de alegria adiada
de águas insidiosas
de frio que se insinua através dos abrigos
in
va
si
vo
penetrando gelado roupa corpo pessoa personalidade
até gelar o coração 
tempo de chuva
tempo inundado
tempo esgotado
faróis acesos em pleno dia
tentam iluminar 
alma obscurecida pela chuva
cidade cinza céu cinza chuva cinza
que lava o ar pesa nas roupas molha o humor
gela escorre empoça respinga
mofa
chuva nos ouvidos
respingando em estalidos
de gotas que explodem água
gotas que enganam o guarda-chuva
e molham as pernas
encharcam os pés
lajes soltas que lavam pernas com imundície gelada
molhada
fria
como o choro do dia
sobre a cidade
que só
sobra
em pranto.

Renato de Mattos Motta


+


O tempo parou na tarde sem sol
Cristalizou lembranças
Fantasiou esperanças

 Quase tudo da mesma cor
Muita coisa no mesmo tom
Um relógio sem labor
Música e frio no mesmo som

Luzes opacas
Almas transparentes
Vidas sem rumos
Sonhos ausentes

Como a chuva que caia e lavava as ruelas
Tudo se desfazia na esquina mais bela

Manuela Dias



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canção da moça de olhar perdido

ouve mais o coração bater 
que o neblinar 
sobre o guarda-chuva
alma só, solidão cinzenta, 
céu 
chumbo, cinza, 
frio maior que o tempo
amanhã talvez o azul 
aqueça a alma
e o céu traga de longe 
o calor de sua cama

Renato De Mattos Motta


+


SIMPLESMENTE ACONTECEU

Andava há tempos vazio
desde que a outra partiu.
Dos olhos desciam um rio.
Amor? Jamais existiu.

Porém, na esquina da vida,
sempre encontramos surpresas.
Pessoas muito queridas,
alegrias e tristezas.

Porém, parado na esquina,
como achar o que eu queria?
Eis que surge uma menina,
transpirando poesia.

Seu sorriso - perfeição,
alegra, inspira, conforta.
Ai meu Deus, quanta emoção,
pois choveu na minha horta!

Gilson Faustino Maia


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Tela de Arame

Da janela do meu quarto
vendo a chuva deslizar
pelas cercas do quintal,
encantei-me com as gotas
que presas ao arame
desciam devagar
no zig-zag do traçado.

Fiquei a pensar que algumas pessoas,
como pingos mais intensos,
se projetam logo aos seus destinos,
enquanto outras batalham tanto,
indo e vindo pelas telas dos seus dias.

Reparei que as gotas em queda certeira 
se perdem sem nitidez.
Como um véu, desaparecem
sem paisagem e nem vontade.
Já as outras, bem mais raras,
traçam luzes prateadas
nas cercas que antes pareciam apenas
marcar limites da liberdade.

Então fechei a janela descansada,
feliz por não ser dessa multidão tão apressada,
pois, ao invés de ir correndo ao fim dos rumos,
o que eu quero de verdade
é encantar-me com as dificuldades
que me prendem junto às grades
que, às vezes, margeiam a felicidade.

Carmem Teresa Elias


+


Liquida esperança

Essa
Esperança
Me vem como água...

Quanto mais
tento segurá-la
mais escapa-me
por entre os dedos...

Sigo...
Olhos vendados
passo ante passo...

Carolina Lafaiete



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Saga 

Meu mundo pequeno
de ínfimos ritos
O vento na fronte
O turvo horizonte
Abafo meus gritos
Me finjo sereno
E o barco meneia
na vaga bravia
Furor de sereia
Aquática orgia

A face encharcada
de água salgada
(seria de pranto?)
não lava o espanto
Netuno que dança
no sal da vingança
A faca no vento
Tormenta ou tormento?

Do caos à deriva
ao cais que se aviva
se estende a agonia
Pedir calmaria
ao deus não aplaca
O vento na faca
o sangue evapora
O sangue da aurora
O céu mais vermelho
O mar é o espelho
do deus que se aparta
Atenas, Esparta
no embate aqui dentro
O espelho no centro
da híbrida arena

Um quase argonauta
A pena que falta?
Dureza do solo
Dionísio e Apolo
disputam-me a alma
Já tem calmaria
mas foi-se-me a calma

A terra me afaga
mas vive a lembrança
de deuses e danças
na ínfima saga

Jorge Ricardo Dias


+


Lagoa das lembranças

Quanto tudo está corrido
E apertado
Paro tudo e venho aqui
Fecho os meus olhos
E te resgato
Lembro-me dos estágios
Criança
Adolescente
Jovem
Adulto
E da tua presença 
Ensinando-me algo
Do teu sorriso
Tua alegria
E motivação
E de uma maneira 
Tão simples
Me trás a vida 
Com tua paz
Obrigado Pai
Que se foi
Mas deixou 
Teu espírito 
Na lagoa das lembranças
Para toda vez
Que me desesperar
Vir com a vara mágica
E lhe pescar
Dentro do meu coração

JG Poeta da Alma


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Contràrios

Evidencia-me 
Fastos vãos 
Que sou sem cor 
Pálidos reflexos
De rubras vontades 
Ardentes ausências 
E saudade

Malmal®


+


Portas

Ei!... Você
Parou!
O desafiou
Vem e me abra
Atravesse
E nunca mais será o mesmo
Fechada você para
Mas aberta
Dou-te o infinito
Vem!
Darei-te a minha luz
E a minha imensidão
Vem!...Vem !...Vem!...

Jg Poeta da Alma


+


Lá fora a chuva cai 
Fico aqui sozinho nesta casa
Ser tem ninguém por perto
Uma verdadeira solidão
Desde quando foi embora.

Não tive coragem de botar
Ninguém para morar comigo
É muito menos me relacionar
Com ninguém.

O meu amor por você

Está vivo no meu peito.
Enquanto esse sentimento
Estiver dentro de mim
Vou sempre te amar,
Um sentimento nunca  acaba 
Principalmente o amor.

Vou te esperar de volta
Pode passar o tempo
Que sempre vou te amar
Como se fosse a primeira
Vez que te conheci.

Agora a minha única companheira
É a solidão que estou vivendo.

A única pessoa que pode
Me tirar dessa situação é você.
Por isso deixei a porta da nossa casa 
E a porta do meu coração abertas para você.
Voltar  a hora quiser.

Alan Bastos


+


JANELA CERRADA

Deitado num tatame,
em prantos,
vejo o mundo
em preto-e-branco.

Edweine Loureiro


+


POR ESTA PORTA

Por aqui num belo dia
penetrou um grande amor.
Trouxe, pra mim, alegria,
julguei ser um vencedor.
Hoje só melancolia
no meu peito sofredor.

A mesma porta serviu
pra penetrar a tristeza,
quando o grande amor partiu,
deixando atrás a frieza.
Mas esse amor existiu?
Não sei, não tenho certeza.

Gilson Faustino Maia

3 comentários:

Carmem Teresa disse...

SHOW DE POESIAS E FOTOS. ESPETÁCULOS DE IMAGENS E PALAVRAS.
UMA IMENSA ALEGRIA PARTICIPAR DE GESTOS ASSIM TÃO SIMPLES E COLETIVOS, QUE ENCHEM A VIDA DE SENTIDO.

Catarina Maul disse...

Valeu, Carmem. Que bom que agora fazes parte disso.

Alex Avena disse...

Essa Confraria é demais!!