sábado, 16 de março de 2013

Homenagem aos 170 anos de Petrópolis

16 de Março - Parabéns, Petrópolis!



Poema de Carlos Maul, escrito em 1946


RETRATO DA MINHA CIDADE
1946

Minha cidade verde, aberta às claridades
Que o céu derrama em turbilhão de estrelas,
Não me espicaçam pontas de saudades,
Nem existem motivos para tê-las..

É que eu te sinto em mim, tal como outrora
Ainda te vejo em teus primeiros dias,
Como a cantar numa perpétua aurora
De nossa infância as lindas melodias.

Ouço os passos da marcha dos pioneiros
Nas picadas da serra
Batem machados, tombam robles altaneiros,
E na queda um rumor se levanta
Como um grito de dor escapo da garganta
Da terra.

Ouço os passos da marcha dos pioneiros...
Lá vão eles, vão subindo, vão subindo,
Vão sofrendo, vão cantando, vão sorrindo,
Heróis sem nome, mas heróis porque os primeiros...
Quanto tempo durou a caminhada...
Chuva e sol, calmaria e tempestade,
Nada os deteve nessa ríspida escalada
Para a conquista da felicidade...

Dias rudes de sombra, os músculos retezos
No manejo da enxada e dos terçados,
Viveram eles ao trabalho escravizados,
mas alegres, à luz de um sonho presos.

Ouço os passos da marcha dos pioneiros...

Apenas a esperança os acompanha
Nessa dura ascensão. E como são ligeiros!...
E assim nasceu das mãos desses pioneiros
Minha linda cidade da montanha...
Escuto-lhes a voz nas marcha da subida...
Parece um canto-chão
De homens que vêm da morte para a vida
Cheios de fé no coração.

Oh! Minha cidade verde,
Não me emocionam as chaminés das tuas fábricas,
Nem a trepidação das tuas máquinas,
Nem os palácios que se escondem nos teus bosques
Envergonhados da própria opulência.
A civilização mudou tua fisionomia, 
Deu-te outras formas, transformou-te as linhas,
Mas na minha fantasia
Continuas a ser a aldeia pequenina,


Fresca juvenil e perfumada,
Com ares de menina
Na verdura a correr de madrugada
Como ninfa nascida da neblina.

És mais formosa assim, e em tuas águas espelhas
Os perfis dos teus montes,
A sombra das tuas pontes,
Das tuas pontes vermelhas...
Vem-me às narinas o teu cheiro agreste,
E eu te vejo melhor nos teus traços antigos:
Uma candura, uma expressão celeste
Na carícia das mãos, nos afagos amigos...

E o mesmo luar com que iluminavas as estradas
Nas noites frias das tuas doces primaveras,
Sinto-o agora, talvez mais claro e mais risonho
Do que nos dias das fulgentes alvoradas
Em que eras
A verdadeira fonte do meu sonho...

Encantada visão do alto da serra
Em cujos fogos minha alma se incendeia,
És a mesma feiticeira
Que vinha, sorrateira,
Para apagar a luz dos lampeões da terra
Se no céu se acendia a lua cheia.

Ouço o canto orfeônico dos órgãos das tuas igrejas
Onde aprendi a crer...
Minha terra cristã dos meus primeiros anos,
Quero que nesses templos me revejas
Com teus bondosos frades franciscanos
Que me ensinaram a ler...

Ressurges das tuas brumas a meu lado,
Na macia brancura de inocente,
Ressoa em mim a voz desse passado,
Que de tão vivo está em mim presente.
Com ternura penetro-te os refolhos, 
De tuas claridades me ilumino,
E suponho que em dias de menino
Roubei do céu o azul para os meus olhos.

De mil belezas te douras
Nesse esplêndido fulgor
Do teu eterno arrebol.
E em teu regaço entesouras,
- Cidade do meu amor – 
Crianças fortes e louras, 
De cabecinhas de sol...

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Canção à Terra natal

Me encanta e eu canto cá a tua beleza
Cenário dos mais lindos, divinal! 
A Koeller com seu porte de alteza
desfila até encontrar a catedral

O azul encontra o verde e é perfeito 
O Pai abençoou com majestade 
Fez tudo tão bonito e esse feito 
deu charme e formosura pra cidade

Nos versos que criei, digo portanto: 
aqui viver é bom, então eu canto 
o orgulho de ser filha dessa terra!

Saudoso avô por quem foi tão amada
que quis fazer daqui sua morada
Que bom que eu nasci aqui na Serra!

Texto e foto de Luciana Cunha
Petrópolis/RJ

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Petrópolis, o mais lindo dos amores

De um Córrego Seco nascia
A princesinha da bela Serra
Das mãos de Pedro florescia
A inspiração de nossa terra

Ares amenos para princesas
Terra fértil para os colonos
Congregação de realezas
União dos mais bravos tronos

Portugueses, Italianos e Alemães
Europa refeita em ares serranos
Despertar fecundo das manhãs
Política feita embaixo dos panos

Capital da política e da cultura
Berço de poetas e escritores
Terra límpida, alva e pura
Petrópolis, o mais lindo dos amores!

Filipe Medon
Petrópolis/RJ

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Sou filho deste chão

Cruzando os mares da aventura
Ergueram nossa história com bravura
Na força bruta da lida de cada dia
Inspiraram os versos de minha poesia
Homens destemidos se dispuseram a lutar
Mulheres de fibra impuseram seu lugar
E hoje nos recordamos com felicidade
Daqueles que construíram a nossa cidade
No papel aro a terra de outrora
O lápis é a enxada de agora
Para brindar a realização da façanha
De um povo destemido vindo da Alemanha
Conquisto a cada dia com meus versos
Um mundo novo, escrevendo universos
Na sinceridade da palavra, a emoção
De vencer na vida com um poema na mão
Deixo de lado a espada e a lança
Minha arma se chama esperança
Inspirado por esse espírito vencedor
Contagio a todos com meu amor
E hoje venho apenas agradecer
A vitória do colono alemão
Que a cada dia me faz crer
No orgulho de ser filho deste chão.

Filipe Medon
Petrópolis/RJ

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Bela vista de Petrópolis

Cidadezinha no alto da serra
aconchego do sol, recanto da lua
tens clima gostoso sem igual,
maravilhoso o amor em ti flutua.

O verão aqui é deveras quente,
no inverno é molhado, úmido e frio,
no outono hortênsias aqui até brotam
e é linda a visão do teu belo rio.

Teus recantos são amorosos
e não há no mundo outros mais iguais
tem museu, tem cachoeira e pardais.

Onde a natureza vive tranquila
não se vê a presença pobre do mal
linda vive, cidade imperial.

Rodolfo Andrade
Petrópolis/RJ



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